SOBRE
Osvaldir Castro
Biólogo e Winemaker, ministrando cursos e palestras sobre Vinho (como hobby) e participando de várias confrarias onde, com os amigos, compartilha e troca informações referentes ao tema. Lema: como bom enófilo, Diante de decisões, tomo o vinho.

Uva que te quero vinho

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Romildo Gouveia Pinto é de Caruaru, onde nasceu em 1948. Tem toda uma vida profissional ligada ao Banco do Brasil onde ocupou cargos de alto executivo em Qualidade, Produção Tecnologia e Segurança. Gosta de pesquisar a cultura do Nordeste e a cultura e lingua italiana. É autor de músicas, crônicas, contos, monografias e antologia poética, conquistando muitos prêmios com suas produções. “Uva que te quero vinho” é um conjunto de três poemas, com os quais obteve o 3o. lugar no II Concurso Nacional de Poesias sobre o Vinho, realizado em Bento Gonçalves.  Os poemas são: A Colheita, A Transformação e A Degustação. Vamos a eles.

A colheita

A mão bruta acaricia

o fruto.

Num gesto firme,

mas pleno do mais terno carinho,

colhe.

Os frutos inundam a mão

bruta

assim como os mais puros desejos inundam

o corpo…

o mais doce desejo inunda

a fruta. 

A mão conduz suave,

no terno afago da concha,

o fruto em cacho

como uma oferenda aos deuses mais felizes. 

O mistério se anuncia. 

A transmutação do fruto

em vida,

da uva em vinho

faz o milagre da colheita.

 

A Transformação

Extrair

da pureza do fruto

a síntese sensual

que nos transborda a alma

de fúria e de calma

Deixar que o fruto

em eterno processo

renasça mais nobre. 

Descobrir

no silêncio da terra

(secreto tesouro)

a sabedoria do desejo

há séculos guardada,

em fruto tornada. 

Deixar que o fruto

em eterno processo

renasça mais nobre

tornando-se eterno…

tornando-se vinho. 

A fonte da juventude

em nosso próprio quintal

jorrando vinho, não água;

a pedra filosofal

nos permitindo tornar

(alquimia sem igual)

a uva no melhor vinho,

nos fazendo Dionísio

- mais deus e menos mortal.

 

A Degustação

A paixão  renovada

na rolha violada

Erótico ritual

Na caricia do copo

(o encontro sensual

como de dois corpos) 

O prazer renascido

no gole ingerido

O erótico rito

no afago dos lábios

(o encontro sensual

de dois bons amigos) 

A emoção desejada

na rolha violada

O erótico ritual

no afago dos lábios

(o encontro sensual

como de dois sábios) 

O gozo perseguido

no gole ingerido

o erótico rito

de flagar o aroma

(o encontro sensual

dos deuses de Roma) 

Na suave transparência

de um copo de vinho

o segredo da essência

do mais erótico carinho.

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