SOBRE
Osvaldir Castro
Biólogo e Winemaker, ministrando cursos e palestras sobre Vinho (como hobby) e participando de várias confrarias onde, com os amigos, compartilha e troca informações referentes ao tema. Lema: como bom enófilo, Diante de decisões, tomo o vinho.

Um encontro com Paulo Laureano

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O Passeio Enogastronômico Adega Alentejana, que ocorreu em nossa cidade, numa parceria com a Enoteca Abadesco, nos propiciou a oportunidade de um bom papo com  Paulo Laureno, um dos mais conceituados enólogos portugueses e uma referência dos vinhos no Alentejo.

Com simpatia, bom humor e um bigode personalíssimo (faz parelha com o do Dr. Adalberto Lorga), que para ele é também uma imagem de marca dos seus vinhos.  Paulo Laureano define-se como um enólogo minimalista:  coloca em um copo tudo aquilo que distingue o vinho – a influência do clima, do solo e das uvas – de uma forma bem visível. Acredita que os vinhos devam ser uma expressão do terroir. É isso o que deve ser visível, e não qualquer tecnologia, o que tornaria o vinho um produto padronizado. Para ele,  desenhar vinhos é uma paixão, desvendar os seus aromas e sabores, avaliar e otimizar as razões da sua identidade e personalidade, promovendo-os como verdadeiras fontes de prazer, são os pontos-chave da sua filosofia . A sua aposta exclusiva nas castas portuguesas, traduz a sua maneira de estar, encarando o vinho como fator de cultura e civilização.

“A minha vinícola começou em 1999, reflexo do meu desejo de fazer um vinho em que pudesse empregar minha paixão de desenhar vinhos em uma das melhores regiões vitivinícolas portuguesas: o Alentejo”, disse. E prosseguiu: “quero  deixar algumas marcas claras nessa área em torno das uvas portuguesas. Recentemente, fizemos a reativação da Tinta Grossa, que era uma uva praticamente extinta. Esse é um primeiro sinal, mas, dentro de algum tempo, podem esperar outras surpresas”.

Sobre as castas portuguesas: “ a aposta é desenhar vinhos exclusivamente com castas portuguesas, vinhos feitos com o que é nosso, aquilo de que todos nos orgulhamos.Sobre as castas tintas: usamos a Aragonez (Tinta Roriz) para contribuir com um componente aromático doce e atrativo  que aumenta a complexidade dos nossos vinhos e lhes confere elegância. A Trincadeira (Tinta Amarela) de longa tradição no Alentejo, com os seus níveis de acidez, os sólidos taninos e o seu elegante aroma, para complexarem vinhos de elevados padrões de qualidade e longevidade. A Alicante Bouschet é uma casta tintureira, com cor na película e na polpa, pelo que os seus vinhos mostram uma cor profunda e de grande intensidade, com uma enorme concentração de taninos. A Alfrocheiro traz a elegância que confere aos vinhos onde está presente, a sua frescura e os aromas mais exóticos. A Tinta Grossa enriquece o nosso pelo seu exotismo, qualidade e raridade. A Touriga Nacional é, certamente,  a mais conhecida das castas tintas portuguesas, não sendo típica do Alentejo por aqui se implantou facilmente nos últimos anos. É elegante, marcante e de grande personalidade. Sobre as castas brancas: a Antão Vaz, autóctone da região da Vidigueira, é certamente uma das melhores, senão a melhor casta branca do Alentejo. Constitui a base de todos os vinhos brancos desenhados na nossa adega, com produções controladas mostra um bom equilíbrio de acidez e a sua estrutura é sempre marcante e persistente. A Arinto é, talvez, a casta portuguesa mais utilizada, por todo o país para o desenho de vinhos de grande qualidade. Mostra uma enorme frescura, o que confere aos vinhos maior equilíbrio e longevidade. A sua ligação aos vinhos do Alentejo é muito antiga e não a dispensamos nos nossos vinhos brancos, devido à sua enorme qualidade. A Roupeiro mostra o seu melhor, associada a vinhos destinados a um consumo mais precoce. Quando se pretende aumentar-lhe a longevidade outras variedades como o Arinto ou o Antão Vaz são necessárias. A Verdelho é uma casta que renasce no Alentejo, com  uma boa estrutura e acidez relançou o interesse na sua utilização. Com uma pequena área de produção, nas nossas vinhas, integrará vinhos monovarietais”.

Paulo Laureano, que já foi escolhido em 2004 o melhor do ano em Portugal, apresentou seus vinhos discorrendo sobre os aspectos de suas personalidades. Vamos a eles.

Paulo Laureano Premium Branco 2013 –elaborado com Arinto, Fernão Pires e Antão Vaz, sendo que o Antão Vaz estagiou 6 meses em barricas novas de carvalho de francês e o Arinto estagiou em inox. Teor Alcoólico: 13,5%. A coloração é de um citrino brilhante. Os aromas mostram frutas tropicais, toques florais, ervas secas, algo de madeira e notas minerais. Na boca apresenta boa textura, repetindo as sensações do olfato, com uma acidez marcante e muito frescor. Longo final com o toque mineral e o amadeirado se mostrando. Avaliação: 92/100 Pontos.

Paulo Laureano Reserve Branco 2013 – elaborado com 100% Antão Vaz. Estagiou 8 meses em barricas de carvalho. Teor Alcoólico: 13,5%. A coloração é de um citrino brilhante. Os aromas mostram frutas tropicais, toques cítricos, leve floral e especiarias. Na boca apresenta boa untuosidade, acidez equilibrada e muito frescor, que se mantém no agradável final. Avaliação: 91/100 Pontos.

Teresa Laureano Rosé 2014 - elaborado com Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Grossa, em garrafas escuras. Teor Alcoólico: 13,5%. A coloração é de um salmão intenso e brilhante. Os aromas mostram framboesa, groselha, ameixa, frutos silvestres e algo de especiarias. Na boca apresenta uma boa textura, com uma acidez marcante e  muita elegância. Bom final frutado com toque de cravo. Produção de 3.500 garrafas numeradas. Avaliação: 91/100 Pontos.

Paulo Laureano Premium Vinhas Velhas 2013 – elaborado com Trincadeira, Aragonez e Alicante Bouschet. Estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês. Teor Alcoólico: 14%. A coloração é de um granada intenso e brilhante. Os aromas mostram ameixa, amora, cereja, compotas de frutas, chocolate e algo de tostado. Na boca apresenta um bom corpo, com taninos macios e bem integrados ao intenso frutado e acidez equilibrada. Longo final, elegante, com o tostado aparecendo. Avaliação: 92/100 Pontos.

Paulo Laureano Reserve Tinto 2013 – elaborado com Trincadeira, Aragonez e Alicante Bouschet. Estagiou 18 meses em barricas novas de carvalho francês. Teor Alcoólico: 14,5%. A coloração é de um granada intenso e brilhante. Os aromas mostram amora, ameixa, cassis, ameixa passa, pimenta vermelha, menta,  especiarias, algo de madeira e tabaco. Na boca apresenta um bom corpo, repetindo as sensações do olfato, com taninos suaves e acidez em equilíbrio. Longo final com as frutas e o toque de madeira se mostrando. Avaliação: 92/100 Pontos.

Dolium Escolha Branco 2013 – elaborado com 100% Antão Vaz, com fermentação em barricas novas de carvalho francês a 15°C durante 30 dias. Estágio de 8 meses em barricas de carvalho com batonnage, antes do engarrafamento. Teor Alcoólico: 13,5 %. A coloração é de um amarelo-citrino intenso e brilhante. Os aromas mostram frutas cítricas e tropicais, notas minerais, florais e sutil toque de especiarias. Na boca apresenta untuosidade, repetindo o olfato, com boa acidez. Agradável final com o toque cítrico e floral se mostrando. Avaliação: 93/100 Pontos.

Paulo Laureano Selectio Touriga Nacional 2011 – elaborado com 100% Touriga Nacional. Estagiou 12 meses em Barricas Novas de Carvalho Francês e 12 meses posteriormente em garrafa. A coloração é de um granada intenso e brilhante. Os aromas mostram frutas negras, frutas passificadas, especiarias, algo de balsâmico e floral. Na boca apresenta um bom corpo, com taninos firmes, bem integrados ao intenso frutado e acidez pontual. Longo final com um complexo aromático e o toque de madeira se mostrando. Um vinho da mais alta qualidade, com  tudo que a casta maior portuguesa pode dar.Avaliação: 95/100 Pontos.

Dolium Reserva 2009 – elaborado com Aragonez, Trincadeira, Alicante Bouschet. Fermentação malolática em barricas novas de carvalho francês e americano pelo período de 12 meses. Estágio de 18 meses em garrafa. Teor Alcoólico: 14,5%. A coloração é de um rubi intenso e brilhante. Os aromas mostram fruta vermelha, especiarias, mentol, tabaco, café e baunilha. Na boca apresenta um bom corpo, repetindo as sensações do olfato, em meio a taninos suaves e bem integrados. Acidez equilibrada. Longo final com muita fruta e o toque de menta. Avaliação: 94/100 Pontos.

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