SOBRE
Osvaldir Castro
Biólogo e Winemaker, ministrando cursos e palestras sobre Vinho (como hobby) e participando de várias confrarias onde, com os amigos, compartilha e troca informações referentes ao tema. Lema: como bom enófilo, Diante de decisões, tomo o vinho.

Syrah, desde os tempos de Cristo

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Lendas e fatos envolvem a origem dessa cepa tão difundida no mundo do vinho. São três as possíveis origens dessa cepa: alguns acreditam que ela veio da cidade de Shiraz, território do antigo império persa, hoje Irã, onde já era cultivada nos tempos de Cristo. (teria sido portanto um Syrah que ele bebeu na sua última ceia, pois era a única casta existente naqueles tempos naquela região) e teria chegado à França através de cavaleiros das cruzadas; para outros a origem seria a Sicília, mais especificamente da cidade de Siracusa; e a versão melhor documentada diz que a Syrah é uma uva genuinamente francesa, originada de variedades de uvas francesas (estudos de DNA demonstraram ser esta a explicação mais provável para sua origem, a Syrah é “filha” das castas Dureza (tinta) e Mondeuse (branca)).
O certo é que a Syrah encontrou no sul da França, na região do Vale do Rhône, condições ideais para se desenvolver e se tornar uma das principais castas da viticultura internacional.

Hoje, essa uva, também conhecida como Shiraz, é destaque também na Espanha, México, Austrália, Estados Unidos,  África do Sul, Chile, Nova Zelândia, Itália e Portugal. Na Austrália e Estados Unidos, são produzido vinhos densos, extremamente frutados e maduros, e com menos taninos se comparado aos vinhos europeus da mesma casta. Na África do Sul, pode-se encontrar Syrah em quase todas as regiões, sendo eles intensos de cor e sabor. Na Argentina, especialmente em Mendoza e no Vale de Uco, a uva vem evoluindo bastante: se antes a variedade era apenas encontrada em cortes, hoje vemos muitos vinhos 100% Syrah. Nesse aspecto  o Chile se antecipou aos Argentinos. O país produz, além de muitos varietais a preços acessíveis, Syrah de altíssima qualidade – Colchagua e Aconcágua são os maiores destaques.

No Brasil já se produz bons exemplares não apenas no Rio Grande do Sul, mas também no Vale do São Francisco, Minas Gerais, São Paulo, Goias   e até no Rio de Janeiro.

Um destaque especial para o trabalho com a Syrah que vem sendo desenvolvido em Minas Gerais, tendo a frente Murillo de Albuquerque Regina, um mineiro especialista em viticultura com PhD em Bordeaux, que criou o conceito da inversão do ciclo da planta, para que o período que antecede a colheita seja caracterizado por dias ensolarados e noites frias, acompanhados de solo seco, como acontece em maio, junho e julho no sul de Minas. Evita-se  o que acontece nos vinhedos tradicionais do Brasil, onde  chove no momento da colheita e com isso o vinho não tem corpo, a acidez é elevada e a colheita tem de ser antecipada.  Foi desenvolvida então a técnica de dupla poda para as videiras. Uma poda é feita em agosto e outra em janeiro. Com a segunda poda, em janeiro, o ciclo recomeça e a planta floresce em abril e maio e as uvas são colhidas no final de julho, início de agosto. Ou seja, na época da colheita os dias são ensolarados (até 27º), as noites mais frias (cerca de 10º) com a amplitude térmica chegando a a 15 e 17º.

Vinhos como Primeira Estrada, Maria Maria, Dom de Minas, em Minas Gerais,  Guaspari e Casa Verroni, em São Paulo, Testardi, no Vale São Francisco, e Intrépido, em Goiás, são exemplos do potencial de qualidade dos vinhos Syrah no Brasil.

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