SOBRE
Osvaldir Castro
Biólogo e Winemaker, ministrando cursos e palestras sobre Vinho (como hobby) e participando de várias confrarias onde, com os amigos, compartilha e troca informações referentes ao tema. Lema: como bom enófilo, Diante de decisões, tomo o vinho.

Os vinhos ibéricos do Clube dos Amigos do Vinho

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A confraria Clube dos Amigos do Vinho de Rio Preto degustou, em sua reunião de outubro, vinhos ibéricos. Vamos aos vinhos.

Herdeiro de uma tradicional família de produtores de vinho do Rioja, Alvaro Palacios estudou enologia em Bordeaux e assumiu, na década 1980, os vinhedos de uma antiga propriedade vinícola em Priorato, abandonada desde a crise da filoxera. O talento do enólogo junto ao terroir, às colinas íngremes e terraços do da propriedade, que fica a 600 milhas de Barcelona, resultou na produção de vinhos de grande sucesso e repercussão em toda a Espanha e no mundo. Alvaro Palacios adquiriu o vinhedo de Finca Dofí, em 1990, localizado na região do Priorato. Após alguns anos, adquiriu um vinhedo de Garnacha, cultivado em solo de xisto bem drenado e que teve seu plantio iniciado entre os anos de 1900 e 1940. Palacios renomeou este vinhedo como “L’Ermita” em referência a uma pequena capela localizada nas redondezas. Anos mais tarde, Alvaro Palacios decidiu avançar seus negócios, adquirindo outro vinhedo na região de Bierzo, em conjunto com seu primo Ricardo Pérez, dando origem a vinícola Descendientes de J. Palacios.

Petalos del Bierzo 2015 – elaborado com 94% Mencía (vinhas velhas cultivadas em terras íngremes e rochosas,de Bierzo), 5% de uva branca, 1% Alicante Bouschet, com envelhecimento de 10 meses em barricas de carvalho francês. Teor Alcoólico: 14,5%. A coloração é de um rubi violáceo de média intensidade e transparência. Os aromas mostram frutas vermelhas , licor, toques mentolados e minerais. Na boca apresenta bom corpo, taninos finos e macios e boa acidez. Longo final com o toque mineral se mostrando. Avaliação: 92/100 Pontos. Preço: R$254,60, na Mistral.

Luis Pato é uma verdadeira lenda em Portugal, o “revolucionário da Bairrada”, que domesticou a casta Baga e transformou os vinhos da região em alguns dos melhores, mais finos, estruturados e complexos exemplares do país. A família Pato produz vinho na Quinta do Ribeirinho desde, pelo menos, o séc. XVIII. João Pato começou a engarrafar vinho das suas vinhas em 1970, tornando-se o primeiro produtor/engarrafador na região da Bairrada depois da sua demarcação. O seu filho Luis Pato herdou o seu espírito  pioneiro e, em 1980, produz o seu primeiro vinho, um monovarietal de Baga de uma qualidade excepcional e raridade absoluta, que é hoje procurado por apreciadores como um tesouro. Em 1985 enceta duas revoluções na Bairrada: faz vinho tinto de uvas desengaçadas e estagia vinho em pipas novas de carvalho francês. Em 1988 planta Baga em “pé franco” (vinhas não-enxertadas) para compreender os vinhos pré-filoxera e produz o primeiro Vinhas Velhas do país. Em 1995 lança vinhos de vinha única: Vinha Pan, Vinha Barrosa e Quinta do Ribeirinho Pé Franco. Em 1998 compra a Vinha Formal para produzir o seu vinho branco de topo de gama de vinha única. Em 1999, por opção pessoal, deixa a Denominação de Origem Controlada, sendo os seus vinhos rotulados como Regional Beiras. Em 2001, faz a sua primeira «vindima de precisão», colhendo na mesma vinha no final de agosto para a produção de Espumante, e no final de Setembro para a produção de um vinho tinto mais concentrado. Em 2005, faz o primeiro vinho com a sua filha Filipa, o FLP, usando o método da crio-extracção. Em 2008 apresenta o seu primeiro Espumante de vinha única, produzido a partir das castas Bical e Touriga Nacional da Vinha Formal. Em 2009 faz os seus primeiros vinhos naturais doces (Branco, Rosado e Tinto), que designa de Abafado Molecular.Em 2010 cria o Informal e o Quinta do Moinho, espumantes brancos de Baga vindimada na primeira colheita de um único vinhedo: o Informal é da Vinha da Panasqueira e o Quinta do Moinho é da vinha homónima. Em 2011 surge o Fernão Pires, o primeiro tinto de uva branca, com 94% de Maria Gomes (Fernão Pires) e 6% de película de Baga.

Pato Rebel Tinto 2017 –  elaborado  com Baga (90%), Touriga Nacional (9%) e Bical (1%), com uma maceração mais curta, sem passagem por carvalho. Teor Alcoólico de 12,5%. A coloração é de um rubi opaco e intenso. Os aromas mostram cereja, amora, especiarias picantes, tabaco, chocolate e impressões minerais. Na boca apresenta um médio corpo,  concentrado, elegante, com taninos suaves e acidez alta típica da casta. Longo final, com o frutado e o chocolate se mostrando. Avaliação: 91/100 Pontos. Preço: R$ 234,90, na Mistral.

Uma das melhores, mais reputadas e tradicionais casas da região do Porto, Niepoort é responsável por elaborar alguns dos grandes vinhos do Porto já produzidos. Niepoort foi fundada há mais de um século e meio, onde foram passadas cinco gerações desde que Franciscus Marius Niepoort fundou a empresa no ano de 1842. Quase sempre, duas gerações da família Niepoort e Nogueira trabalham lado a lado durante longos anos para uma transição bem-sucedida aconteça, isto é, vinhos de excelente e alta qualidade. São mais de 150 anos que a vinícola Niepoort dá origem aos tradicionais vinhos do Porto, com todo o conhecimento passado de geração para geração. As caves Niepoort, localizadas em Vila Nova de Gaia, são responsáveis por possibilitar que os vinhos envelheçam da melhor maneira possível, mantendo as boas tradições para que o resultado final seja sempre um excelente vinho do Porto. A primeira propriedade de Niepoort foi comprada em 1887 na região do Douro, onde Dirk Niepoort deu início a uma nova era da vinícola com a criação do primeiro vinho tinto Redoma, em meados de 1991. Durante os últimos anos, a vinícola portuguesa lançou a si própria o desafio de produzir vinhos em outros climas e solos, adquirindo outras propriedades nas regiões do Dão e Bairrada. Além disso, outros vinhos Niepoort expressam os diferentes terroirs de solos com xisto – no Douro, calcário – na Bairrada, e granito – no Dão.

Redoma Tinto 2015 – elaborado com Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tinta Amarela e Tinto Cão, Vinhedos selecionados, com idades entre 60 e 120 anos localizados em Quinta de Nápoles e Vale Pinhão, sendo que 50% da fermentação decorreu em lagares tradicionais. Amadurecimento de 20 a 22 meses em barricas de carvalho francês. Teor Alcoólico de 13%. A coloração é de um rubi intenso, com muito brilho. Os aromas mostram morango, ameixa, amora, mírtilo, toques florais, especiarias finas, tabaco e algo de balsâmico. Na boca apresenta bom corpo, com taninos bem integrados e acidez pontual. Leve adstringência e toque mineral. Longo final com frutado e toque floral e leve madeira. Avaliação: 92/100 Pontos. Preço: R$ 319,80, na Mistral.

Campolargo é uma adega familiar, que há várias gerações se dedica à cultura da vinha e à produção de vinho. Atualmente trabalham cento e setenta hectares em duas propriedades no centro de Portugal: Quinta de São Mateus e Quinta de Vale de Azar. Estão plantadas parcelas de Baga, Touriga Nacional, Tinta Barroca, Pinot Noir, Trincadeira da Bairrada (Periquita) e Cabernet Sauvignon. As castas brancas são: Bical, Arinto, Cerceal e Verdelho. Em fevereiro de 2004, iniciaram a construção de uma nova adega, situada na Quinta de S. Mateus, que ficou concluída em dezembro de 2005. Nessa adega são produzidos vinhos apoiados num conceito enológico de máximo respeito pelas uvas, com uso praticamente exclusivo de gravidade em todo o ciclo de vinificação e com exclusão de quaisquer produtos enológicos. Alvarelhão é uma uva tradicional portuguesa que nunca havia recebido maior atenção, até que Campolargo resolvesse produzir um grande vinho com esta casta. Logo em sua primeira safra, este tinto foi eleito pela Master of Wine Julia Harding, braço direito de Jancis Robinson, como um dos 50 melhores vinhos portugueses entre todos os mais de mil que ela degustou em 2012. Alvarelhão é uma uva tradicional portuguesa que nunca havia recebido maior atenção, até que Campolargo resolvesse produzir um grande vinho com esta casta. Logo em sua primeira safra, este tinto foi eleito pela Master of Wine Julia Harding, braço direito de Jancis Robinson, como um dos 50 melhores vinhos portugueses entre todos os mais de mil que ela degustou em 2012.

Alvarelhão 2015 – elaborado com 100% Alvarelhão, com leve passagem por barricas. Teor Allcoólico de 12,5%. A coloração é de um rubi médio e brilhante. Os aromas mostram cereja, framboesa,  morango e algo cítrico. Na boca apresenta um corpo médio, taninos suaves, acidez marcante e um leve picante de gás carbônico. Médio final, com o toque cítrico se mostrando. Avaliação: 90/100 Pontos. Preço: R$ 228,93 na Mistral.

A Quinta da Lagoalva de Cima é um dos nomes mais expressivos da região Tejo (antes chamada de Ribatejo). A propriedade estende-se pela margem sul do rio Tejo, na Freguesia de Alpiarça, distrito de Santarém. Sua história está ligada à antiga nobreza de Portugal. Em 1834, a Quinta da Lagoalva foi comprada por Henrique Teixeira de Sampayo, 1º conde da Póvoa. Em 1842, todos os bens passaram para D. Maria Luísa Noronha de Sampaio, que se casa em 1846 com D. Domingos António Maria Pedro de Souza e Holstein, 2º Duque de Palmela. A partir daí, a herdade ficou sempre em mãos dos descendentes da Casa de Palmela – aparentados também com os Orleans e Bragança da família real brasileira. Hoje, a Sociedade Agrícola Quinta da Lagoalva de Cima, comandada pelo pai, Manuel, e tios de Diogo Campilho, possui 7 mil hectares de terras no Tejo e em outras regiões portuguesas. É um complexo agrícola que se dedica ao cultivo de cereais, criação de cavalos de raça, turismo rural, exploração florestal, fornecimento de tecnologia agrícola, distribuição de produtos alimentícios, à produção de azeite e, claro, de vinhos. Na propriedade há 50 hectares de vinhas. Diante do tamanho das terras pertencentes à família, a área ocupada por vinhedos é relativamente pequena – 50 hectares. Segundo Diogo, a ocupação vai aumentar aos poucos, incluindo a reconversão de parte das vinhas. Ali estão plantadas castas portuguesas autóctones e mundiais. Entre as brancas há Arinto, Fernão Pires, Verdelho, Alvarinho, Sauvignon Blanc e Chardonnay; na ala tinta, Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz, Castelão, Cabernet Sauvignon, Syrah e Tannat. Lagoalva de Cima Syrah foi o primeiro cult wine elaborado com a casta em Portugal e ainda hoje é um dos mais aclamados Syrah do país.

Lagoalva de Cima Syrah 2012 – elaborado com 100% Syrah, amadurecendo por 12 meses em barricas de carvalho francês de primeiro e segundo usos. Teor Alcoólico de 14%. A coloração é de um granada intenso e brilhante. Os aromas mostram ameixa, tabaco, especiarias, alcaçuz e mentol. Na boca apresenta complexidade, bom corpo, taninos firmes, repetindo a expressão do olfato, com cacau e açúcar mascavo. Longo final frutado com mentol se mostrando. Avaliação: 93/100 Pontos.  Preço: R$ 384,68, na MIsrral.

 

 

 

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