SOBRE
Osvaldir Castro
Biólogo e Winemaker, ministrando cursos e palestras sobre Vinho (como hobby) e participando de várias confrarias onde, com os amigos, compartilha e troca informações referentes ao tema. Lema: como bom enófilo, Diante de decisões, tomo o vinho.

Os vinhos do fim do Império

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  •  Comemoramos hoje a data do Golpe da Proclamação da República do Brasil. A Ilha Fiscal tem sua história ligada  à mais estupenda esbórnia etílico-culinária da nossa História: o último baile da Ilha Fiscal, oferecido ao comandante Bannen e aos oficiais do encouraçado chileno Almirante Cochrane, na noite de 9 de novembro de 1889. O objetivo era esnobar os republicanos andinos com a pompa da monarquia brasileira.

Um jornal da época, a Gazeta de Notícias, publicou uma descrição detalhada da ceia:  11 pratos quentes, 15 pratos frios, 12 tipos de sobremesas, num  menu impresso em pergaminho ( “crême à la Richelieu et purée à la Reine; merlan (badejo) à la façon du chef”; chartreuse de caille (codorniz); pigeons sauvages (pombos), etc. E, de sobremesas, 2.900 doces variados, além de “crême au chocolat et aux violettes, charlotes, marrons glacées et bonbons fondants”). Para o preparo das receitas, foram consumidos 18 pavões, 25 cabeças de porco, 64 faisões, 300 peças de presunto, 500 perus, 800 quilos de camarão, 500 perus, 800 latas de trufas, 1200 latas de aspargos, 1300 galinhas, além de 50 tipos de saladas com maionese, 2900 pratos de doces variados, 14 mil taças de sorvete, 18 mil frutas e 20 mil sanduíches.

 

Bebeu-se muito também: 10 mil litros de cerveja. Das 304 caixas de bebidas, 258 eram de vinhos e champagnes. E que vinhos! Foram consumidas 3.096 garrafas desses maravilhosos fermentados, que compunham uma bateria de 39 rótulos diferentes, com destaque para Porto de 1834 – uma safra preciosíssima – Madeira, Tokay, Château D’Yquem, Château Lafite, Château Leoville, Château Beycheville, Château Pontet-Canet e Margaux. A presença marcante do italiano Falerno, nas versões branco e tinto, era uma deferência à imperatriz. Os champagnes não podiam ser melhores: Cristal de Louis Roederer, Veuve Cliquot Ponsardin e Heidsieck. Dentre os vinhos alemães, destacavam-se o Liebfraumilch e o famoso Johannisberg do Reno. E para bem servi-los, foram mobilizados 90 cozinheiros e 150 garçons. A preço de hoje, foram gastos algo como 250.000 dólares em bebidas!

 

Um fato irônico, até hoje não confirmado, ocorreu logo após a chegada da família real, às 10 horas da noite: conta-se que D. Pedro II, ao entrar no salão do baile, desequilibrou-se e levou um tombo. Foi amparado por dois jornalistas. Ao recompor-se, exclamou: O monarca escorregou, mas a monarquia não caiu! Apesar do sucesso do baile, o imperador pouco se divertiu. Ficou sentado o tempo todo e foi embora à 1h da manhã, sem jantar.

 

Oito dias depois, a 17 de novembro – um domingo – uma lancha do arsenal da Marinha levou a Família Imperial para o vapor Paraíba, ainda de madrugada. Ao meio-dia, o Paraíba zarpou para a Ilha Grande, onde estava o Alagoas. O transbordo foi feito à noite e na manhã do dia 18 de novembro D. Pedro fez-se ao “mar oceano” da costa brasileira – para nunca mais voltar.

 

A Festa da Ilha Fiscal  não será esquecida!

 

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