SOBRE
Osvaldir Castro
Biólogo e Winemaker, ministrando cursos e palestras sobre Vinho (como hobby) e participando de várias confrarias onde, com os amigos, compartilha e troca informações referentes ao tema. Lema: como bom enófilo, Diante de decisões, tomo o vinho.

Os vinhos da degustação do Rhône

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Excelente seleção do André, para a degustação de junho, com vinhos do Rhône. Vamos a eles.

A histórica e belíssima propriedade do Châteu La Nerthe pertencia originalmente à família aristocrata francesa Tulle, que comprou o castelo em 1560. Rapidamente desenvolveram uma reputação de qualidade na produção de vinhos, colocando a região em evidência. Não demorou muito para a elite europeia se interessar na produção, e os rótulos foram servidos à mesa das Cortes Reais de Londres, Roma e até Versailles. A vinícola ficou nas mãos da família por gerações, até o século XIX, quando foi vendida a Josep Drucos. Quem administrava à época era, porém, o lendário gerente de vinícolas Alain Dugas – até a sua aposentadoria em 2008. Desde então, Christian Veroux é o responsável pela produção modernizada, sem abandonar a paixão em nutrir o renomado terroir.

La Nerthe Chateauneuf du Pape Blanc 2010 – elaborado com 38% Roussanne, 31% Grenache Blanc, 16% Clairette, 15% Bourboulenc, com amadurecimento de 14 a 16 meses em barril de carvalho. Teor Allcoóllico de 14%. A coloração é de um amarelo dourado com muito brilho. Os aromas mostram, notas cítricas, geleia de laranja, lichia, mel e toque floral. Na boca apresenta uma sensação penetrante, com excelente acidez e toque mineral. Longo final frutado, com o mel se mostrando. Avaliação: 92/100 Pontos.

Domaine des Remizières é gerido pela mesma família há 3 gerações. No começo, a propriedade possuía 4ha e vendia seu vinho para a cooperativa local. Desde 1973, a vinificação ocorre no domaine, que agora cobre mais de 30 ha nas denominações de Crozes Hermitage, Hermitage e Saint Joseph..Hoje  Philippe e seus dois filhos, Emilie e Christophe, administram o domaine e trabalham com métodos vitícolas orgânicos.

Domaine des Remizieres Crozes Hermitage Cuvee Christophe 2015 – elaborado com 100% Syrah, vinhedos de 65 anos. Amadurecimento durante 15 meses em barrica de carvalho, sendo barris novos (70%) e barris de um ano (30%). Teor Alcoólico de 13%. A coloração é de um granada médio e brilhante. Os aromas mostram frutas vermelhas, licor de cassis, alcaçuz, tostado e toque floral. Na boca apresenta um bom corpo, com taninos suaves, repetindo as sensações do olfato, com abundante frutado e glicerina. Longo final com o frutado s mostrando. Avaliação: 91/100 Pontos. Preço: R$ 161,50, na Via Vini.

O Château de Saint Cosme é a propriedade líder de Gigondas e produz os vinhos de referência da denominação. O vinho é produzido em Saint Cosme desde os tempos romanos, comprovado pelas antigas cubas galo-romanas esculpidas no calcário abaixo do castelo. A propriedade está nas mãos da família de Louis Barruol desde 1570. Henri e Claude Barruol assumiram o comando em 1957 e gradualmente  deixaram de produzir vinhos a granel. Henri foi um dos primeiros na região a trabalhar organicamente a partir dos anos 70. Louis Barruol assumiu o cargo de seu pai em 1992, fazendo uma mudança para a qualidade, acrescentando um braço négociante ao negócio em 1997 e convertendo-se em biodinâmica em 2010. A propriedade está no coração de Gigondas, onde 15 hectares de vinha crescem à sombra do Dentelles de Montmirail

Chateau de Saint Cosme Gigondas 2012 – elaborado com Grenache, Syrah, Mourvèdre e Cinsault, com amadurecimento de 12 a 48 meses. Sem filtração. Teor Allcoólico de 14,5%. A coloraão é de um rubi escuro e médio brilho. Os aromas mostram mírtilo, cassis, licor de cassis, alcaçuz e algo de tostado. Na boca apresenta um bom corpo, taninos potentes, acidez pontual , repetindo as sensações do olfato. Longo final frutado com o tostado se mostrando. Avaliação: 91/100 Pontos. Preço: R$ 361,47, na Via Vini.

Encontramos os primeiros traços do Château de Beaucastel no século XVI: em 1549, Pierre de Beaucastel compra “um celeiro com seu conto de barro contendo 52 salmões sentados em Coudoulet”. Em 1687, Pierre de Beaucastel obteve do rei Luís XIV o cargo de “Capitão da Cidade de Courthézon”, em reconhecimento à sua conversão ao catolicismo. A carta de Luís XIV, também assinada por Colbert, ainda é visível no castelo. Em 1909, Pierre Tramier assumiu a propriedade. Ele então transmite para seu genro, Pierre Perrin, um cientista que dá a sua ascensão a Beaucastel. Jacques Perrin continua os esforços de seu pai até 1978 e dá a este vinho sua nobreza. Hoje o comando está nas mãos de Jean-Pierre e François, filhos de Jacques Perrin que continuam a bela história do Château de Beaucastel. Marc, Pierre, Thomas, Cecilia, Charles, Mateus e César, a quinta geração, trabalham ao lado deles.

Château de Beaucastel Châteauneuf-du-Pape 2008 – elaborado com 30% Grenache ,30% Mouvédre, 10% Syrah, 10% Cunoise, 5% Cinsault e 15% Vaccarese, Terretnoir, M Muscardin, Picpoul, Bourboulrne e Rossanne . As uvas seguem o cultivo orgânico e a colheita é manual e realizada separadamente por castas. A vinificação acontece em cubas de carvalho (para as uvas Mourvèdre e Syrah) e em tanques de cimento (outras cepas). Após a fermentação malolática, é realizado o corte dos vinhos das diferentes variedades e, então, o vinho final amadurece em cubas de carvalho francês por 12 meses. Teor Alcoólico de 15%. A coloração é de um intenso e brilhante rubi. Os aromas mostram complexidade, com destaque para as notas florais, cereja, framboesa, groselha, especiarias (pimenta), alcaçuz e um toque de cedro. Na boca apresenta bom corpo, taninos potentes e bem integrados ao frutado e ao álcool, com toque picante. Muito equilibrado. Final longo com alcaçuz se mostrando. Avaliação:93/100 Pontos. Preço:R$ 997,50, na Via Vini

Domaine Perrin Les Christins Vacqueyras 2015 – elaborado com 65% Grenache Noir e 35% Shiraz, com fermentação e estágio parte em tanques de 50 hectolitros e parte em foudres de carvalho.. Teor Alcoólico de 14,5%. A coloração é de um rubi intenso e profundo com reflexos violáceos. Os aromas mostram frutas vermelhas maduras, toque herbáceo que se complementa com especiarias delicadas, pimenta e alcaçuz. Na boca apresenta boa estrutura, com taninos firmes, repetindo as sensações do olfato. Bom final frutado com  mineral se mostrando. Avalliação: 92/100 Pontos. Preço: R$ 222,30, na Via Vini

Domaine Auguste Clape é uma propriedade vinícola de Cornas, na denominação do norte do Vale do Rhône. O domaine é nomeado com o mesmo nome do seu proprietário, Auguste Clape, que se encontram entre os produtores mais conceituados do mundo, principalmente, pelos seus vinhos elaborados com a uva Syrah. A propriedade é composta por apenas 8 hectares de vinhas velhas, cultivadas em térreos íngremes e socalcos nas margens ocidentais do Rhône, especialmente, em áreas que recebam alta incidência solar. As uvas são colhidas o mais tarde possível a fim de que atinjam o período de maturação ideal, dando origem a vinhos com características únicas e complexas. Segundo o guia do La Revue du Vin de France, Auguste Clape é o melhor representante da escola tradicional de Cornas, reputada comuna no norte do Rhône. São vinhos encorpados e carnudos e, no caso de Clape, com notável classe e complexidade – bem mais finos que outros exemplares da sua denominação.

Domaine Clape Renaissance Cornas 2011 – elaborado com 100% Syrah,vinhas de 30 e 50 anos de idade, sem desengaçamento e onde a afinagem é efetuada em carvalho usado. Amadurecimento de 22 meses em barricas de carvalho. Teor Alcoólico de 13%.  A coloração  é de um rubi intenso com halos purpúreos e muito brilho. Os aromas mostram cassis, amora, cereja, especiarias picantes, alcaçuz e algo de mineral. Na boca apresenta um bom corpo, com taninos firmes, bem integrados ao frutado, acidez equilibrada e leve herbáceo. Bom final com  alcaçuz se mostrando. Avaliação: 92/100 Pontos. Preço: R$800,00, na Mistral.

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