SOBRE
Osvaldir Castro
Biólogo e Winemaker, ministrando cursos e palestras sobre Vinho (como hobby) e participando de várias confrarias onde, com os amigos, compartilha e troca informações referentes ao tema. Lema: como bom enófilo, Diante de decisões, tomo o vinho.

Os vinhos da degustação do Clube dos Amigos do Vinho

IMG-20210930-WA0039

Vamos  a análise sobre os vinhos degustados no Clube dos Amigos do vinho, na noite de ontem.

A Bodega Catena  é identificada por ser a  responsável por colocar a Argentina definitivamente no cenário internacional de vinhos. Está estabelecida em Mendoza e foi Nicolas Catena  quem deu início à produção de vinhos de qualidade em grande escala. Nicolas fez estudos e descobriu que ao cultivar determinadas cepas em altitudes diferentes os resultados eram positivos e foi assim que inseriu a Malbec no contexto dos grandes vinhos. Foi ele quem trouxe novos clones da França e dos EUA, amadureceu vinhos em pequenas barricas de carvalho francês, introduziu a irrigação por gotejamento. Foi o responsável pela aplicação de tecnologia de vanguarda, que teve seu pioneirismo na sua vinícola. Catena Zapata é, indiscutivelmente, o  mais reverenciado produtor da Argentina.  Na opinião unânime de toda a imprensa especializada internacional, de quem recebe sempre as melhores notas e prêmios.

Angelica Zapata Alta Cabernet Sauvignon 2016 – elaborado com 00% cabernet Sauvignon, com maturação por 16 meses em 85% de barricas francesas, sendo 30% novas, e 15% em carvalho americano novo. Teor alcoólico de 13,5%. A coloração é de um rubi intenso e brilhante. Os aromas mostram cereja vermelha, ameixa, groselha e notas picantes de cravo e tomilho. No paladar, é um vinho complexo, intenso e bem estruturado, com taninos suaves, macios e longos, acidez equilibrada e um marcante coco. Longo final frutado com algo de baunilha se mostrando. Avaliação:93/100 Pontos.

Bodega Luigi Bosca, da Família Arizu, situada em Luján de Cuyo,  conta com uma trajetória de mais de 100 anos na indústria vitivinícola argentina. Dirigida atualmente pela terceira e quarta geração, constitui um dos poucos estabelecimentos vinícolas que, ao longo das décadas, permanecem em mãos da família fundadora e, por seu prestígio, tornou-se um paradigma do vinho nacional. A Luigi Bosca conta com 7 fincas na província de Mendoza: Los Nobles, La Linda, La España, Don Leoncio, El Paraíso, La Puntilla e Los Miradores. Ao todo são mais de 700 hectares dedicadas ao cultivo, estudo e entendimento da videira. As diferentes variedades que se produzem nestas fincas, foram trazidas da Europa na última década do século XIX. Utiliza-se de práticas biodinâmicas em seus vinhedos, inclusive obedecendo ao ciclo lunar.É um dos estabelecimentos produtores com maior participação no mercado argentino de vinhos premium; além disso, suas etiquetas estão presentes nos cinco continentes e chegam a mais de 50 países do mundo. Atualmente, a vinícola produz 8 milhões de garrafas de vinho das quais 60% é vendido no mercado externo, principalmente nos Estados Unidos, no Canadá e no Brasil. Produz os vinhos  La Linda, Luigi Bosca Reserva e Selectos da Família Arizu. Em Vistalba, a família Arizu possui a Finca Los Nobles, onde estão plantadas Cabernet Sauvignon e Alicante Bouchet há mais de 90 anos.

Luigi Bosca De Sangre 2018 – elaborado com 70%   Cabernet Sauvignon, 15%  Syrah e 15%  Merlot, a partir de uvas colhidas nas melhores parcelas da Finca Los Nobles (em Las Consultas) e Finca El Paraiso (em Maipu, Mendoza sendo que 50% das três variedades é envelhecido em barricas de carvalho entre 12 e 14 meses, seguindo-se uma suave filtração. Teor alcoólico de 14,7%. A coloração é grená com nuances violáceas. Os aromas são muito complexos e nítidos, com frutas vermelhas, passas, notas herbáceas, especiarias, baunilha  e, ao final, alcaçuz, com toques de pimenta e côco queimado. Na boca apresenta-se com muita potência, robusto e vigoroso. Muito equilíbrio dos taninos, que se mostram integrados. Um longo final, onde afloram os toques apimentados. Avaliação: 91/100 Pontos.

Do início em 1844 até hoje, a fusão de ciência, arte e inovação levou Penfolds a se tornar um dos produtores de vinho mais famosos e respeitados da Austrália. Após o sucesso dos primeiros xerez e vinhos fortificados, os fundadores, Dr Christopher e Mary Penfold, plantaram suas mudas de videira que carregaram em sua viagem para a Austrália. Em 1844, o vinhedo recém-criado foi oficialmente estabelecido como a empresa de vinhos Penfolds em Magill Estate. À medida que a empresa crescia, também crescia a reputação médica do Dr. Penfold, deixando grande parte da administração da vinícola para Mary Penfold. As primeiras incursões em Clarets e Rieslings provaram-se cada vez mais populares e, com a morte de Christopher em 1870, Mary assumiu a responsabilidade total pela vinícola. Na época em que Mary Penfold se aposentou em 1884 (cedendo o gerenciamento para sua filha, Georgina), Penfolds estava produzindo 1/3 de todo o vinho da Austrália do Sul. Ela estabeleceu uma agenda que continua até hoje, experimentando novos métodos na produção de vinho. Com a morte de Mary em 1896, o legado de Penfolds estava a caminho de fruição. Em 1907, Penfolds havia se tornado a maior vinícola da Austrália do Sul. Em 1948, a história foi feita novamente quando Max Schubert se tornou o primeiro Enólogo Chefe da empresa. Um homem leal à empresa e um verdadeiro inovador, Schubert impulsionaria a Penfolds para o palco global com sua experimentação de vinhos duradouros – a criação da Penfolds Grange nos anos 1950. Em 1959 (enquanto Schubert estava aperfeiçoando sua experiência Grange em segredo), a tradição dos ‘vinhos bin’ começou. O primeiro, um vinho Shiraz com uvas dos vinhedos de Barossa Valley da própria empresa, recebeu o nome simplesmente da área de armazenamento das adegas onde é envelhecido. E assim o Kalimna Bin 28 se torna o primeiro vinho oficial Penfolds Bin. Apesar do grande sucesso, Penfolds nunca descansa sobre os louros. Em 2012, a Penfolds lançou seu projeto mais inovador até hoje – 12 ampolas artesanais do raro Kalimna Block Cabernet Sauvignon de 2004. Dois anos depois, Penfolds celebrou o 170º aniversário – tendo acabado de obter uma pontuação perfeita de 100 para o Grange 2008 em duas das revistas de vinho mais influentes do mundo. Hoje, Penfolds continua a valorizar as filosofias e lendas – ’1844 para sempre!’

Penfolds Koonunga Hill Shiraz-Cabernet 2017 – elaborado com 77% Shiraz e 23% Cabernet Sauvignon, com amadurecimento de 12 meses em carvalho usado. Teor Alcoólico de 14,5%. A coloração é de um rubi intenso com reflexos violáceos. Os aromas mostram cereja, ameixa, frutas vermelhas frescas, toques apimentados e especiarias, como alcaçuz, seguido por notas de chocolate e baunilha. Na boca apresenta um corpo médio, taninos macios e doces repetindo as sensações do olfato. Bom final frutado, com o chocolate se mostrando. Avaliação: 92/100 Pontos.

A Bodega Boutique Bouza é hoje uma das mais modernas, em termos de produção de vinhos e de recepção aos turistas, do Uruguai. Foi construida em 1942, à semelhança dos chateaux franceses, por Numa Pesquera. Restaurada em 2002, manteve todas as características originais.  É um empreendimento familiar, produzindo em pequena escala visando melhor qualidade. O prédio onde está a bodega se situa em Melilla,  muito próximo de Montevideo, com 5 hectares de vinhedos. Estão plantadas: Albariño, Chardonnay, Merlot e Tannat. Os vinhedos são designados por parcelas, onde há um controle específico de produção. Em Las Violetas, a 39 km. de Montevideo, estão mais 12 hectares, com as mesmas cepas, além da Tempranillo. Os vinhos são elaborados com a supervisão do Dr. Eduardo Boido, doutor em enologia. Ficam entre 6 e 18 meses em carvalho francês e não são filtrados.Em relação ao turismo, existe um grande restaurante, com área especial para degustação e varejo de vinhos. Existe, também, um pavilhão especial de exposição de carros antigos, da coleção particular dos Bouza e uma área de lazer e descanso. E na entrada, uma mensagem diz tudo: Benvindo a Bouza Bodega Boutique, benvindo a nossa casa. Somos uma família. Somos uma bodega. Hoje a Bouza exporta para o Reino Unido, Portugal, Espanha, Alemanha, Bélgica, França, Emirados Árabes, República Checa, Dubai, China, Austrália, Estados Unidos, Canadá, México, Argentina e Brasil.Os vinhos Bouza se distinguem por suas cores, aromas e sabores onde a fruta e carvalho são elegantemente equilibrados com acidez, álcool e taninos polidos. Vinhos com a energia do Novo Mundo e o refinamento do Velho Mundo.

Bouza Tannat 2019 – elaborado com 100% Tannat, dos vinhedos de Melilla, com amadurecimento de 16 meses em barricas de carvalho francês e americano sobre suas borras. Teor Alcoólico de 14,5%. A coloração é de um rubi intenso, com toques violáceos. Os aromas mostram ameixa,  groselha, amora , alcaçuz, violeta e notas de anis ao fundo. Na boca apresenta  um corpo médio, com taninos potentes, leve amargor e leve adstrigência. Repete as frutas do olfato, com bom frescor. Final frutado, com algo de café.  Longo final frutado com o anis se mostrando. Avaliação: 94/100 Pontos.

Fundado em 2007, El Enemigo é o projeto pessoal de Alejandro Vigil, enólogo chefe de Catena Zapata, e de Adrianna Catena, filha mais nova de Nicolás Catena. Tendo à sua disposição uma ampla gama dos melhores vinhedos da região de Mendoza — pertencentes à família Catena — Alejandro Vigil selecionou parcelas específicas das uvas que pudessem dar origem a vinhos argentinos com uma personalidade distinta dos talhados por ele em Catena Zapata. São vinhos tintos com bastante nervo, taninos abundantes e um caráter deliciosamente selvagem.A linha “El Enemigo” da vinícola é formada pelos maravilhosos vinhos argentinos Malbec, Cabernet Franc, Bonarda, Syrah/Viognier e Chadonnay.

El Enemigo Bonarda 2017 – elaborado com  85% Bonarda e 15% Cabernet Franc , fermentado em carvalho´por leveduras indígena, amadurecendo por 15 meses em foudre de 100 anos. Teor Alcoólico de 13,5%. A coloração é de um violáceo intensa com reflexos azulados. Os aromas mostram frutas negras maduras, como amora, framboesa e cereja, notas herbáceas, de chocolate amargo e toques de alcaçuz e baunilha. Na boca apresenta bom corpo, taninos refinados, acidez equilibrada, repetindo as sensações do olfato. Longo final frutado com a baunilha se mostrando. Avaliação:92/100 Pontos. Observação: o Vinho El Enemigo Bonarda é assinado por Alejandro Vigil, enólogo da Catena Zapata, em seu projeto pessoal com Adrianna Catena, filha mais nova de Nicolás Catena, na Bodega Aleanna.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>


Copyright © 2013. Todos os direitos reservados.