SOBRE
Osvaldir Castro
Biólogo e Winemaker, ministrando cursos e palestras sobre Vinho (como hobby) e participando de várias confrarias onde, com os amigos, compartilha e troca informações referentes ao tema. Lema: como bom enófilo, Diante de decisões, tomo o vinho.

Os vinhos da degustação de norte-americanos

 

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A noitada de norte-americanos na confraria Clube dos Amigos do Vinho de São José do Rio Preto teve dois vinhos da Califórnia e três vinhos de Washington. Vamos a eles.

A vinícola Inglenook foi fundada em 1879 pelo capitão finlandês Gustave Niebaum. Niebaum morreu em 1908 e vinícola foi fechada durante a Lei Seca. Após a revogação da Lei Seca, em 1933, a viúva de Niebaum, chamada Suzanne Niebaum, reabriu a vinícola Inglenook e trouxe um viticultor e enólogo para atualizar o sistema de vinificação. O sobrinho-neto de Niebaum, chamado John Daniel Jr., assumiu as operações em 1939 e na década de 1940 vinhos de Inglenook passaram a ser considerados um dos melhores de Napa Valley. Em 1975, mais de 630 hectares da propriedade foram comprados por Francis Ford Coppola com lucros de seu filme, “O Poderoso Chefão” (1972). O nome da marca e os restantes 38 hectares, incluindo a histórica vinícola, foram comprados pela empresa Heublein, Inc., que começou a fazer vinhos de qualidade inferior aos produzidos sob o rótulo da Inglenook. Em 1995, o restante das terras foi comprado pelo cineasta e, em 2011, Francis Ford Coppola adquiriu a marca icônica Inglenook, pagando mais, segundo ele, que ele tinha pago por toda a propriedade. Na época, o renomado diretor anunciou que a vinícola seria mais uma vez conhecida por seus vinhos de alta qualidade com a marca Inglenook.

Inglenook Rubicon 2014 – elaborado com 97% Cabernet Sauvignon, 2% Merlot e 1% Petit Verdot, vinhedo Lower Garden, Pritchett Hill, Gio e Cohn, com amadurecimento de 18 meses em  carvalho francês, 75% carvalho novo. Teor Alcoólico de 14,2%. A coloração é de um rubi profundo e brilhante. Os aromas mostram complexidade com frutas vermelhas, cereja negra, groselha, cassis, especiarias, baunilha, algo de cacau, anis e toque floral. Na boca apresenta bom corpo, taninos firmes, bem integrados, muito equilíbrio, repetindo as sensações do olfato, que se juntam trazendo maravilhosa complexidade. Longo final frutado com, com o toque de cacau se mostrando. Avaliação: 94/100 Pontos. Oferecido pelo Alex.

 

Robert Mondavi foi o maior símbolo da vitivinicultura americana. Ele fundou sua vinícola em 1966 na Califórnia, EUA, e sempre acreditou que poderia produzir vinhos do mais alto padrão de qualidade. Americano e filho de imigrantes italianos, Robert Mondavi foi sempre influenciado pela cultura e tradições do Velho Mundo. Em 1936 se formou em economia e começou a trabalhar com seu pai em uma vinícola do distrito de St. Helena (Napa Valley. Califórnia). Depois de convencer seu pai a comprar os vinhedos e vinícola de Charles Krug. Robert se mudou para Oakville para montar sua própria vinícola. O grande objetivo de Robert foi unir os métodos europeus tradicionais de vinificação a tecnologia americana de última geração. Além de utilizar métodos educacionais para promover a venda de seus vinhos, Robert Mondavi foi o pioneiro a utilizar técnicas como fermentação a frio em tanques de inox e a utilização de barricas de carvalho francês. Promoveu degustações às cegas para que o mercado pudesse avaliar a qualidade dos vinhos e foi o pioneiro na exportação dos vinhos californianos. Em 1979 Robert Mondavi se juntou ao Baron Philippe de Rothschild e inaugurou a Opus One Winery. em Oakville (Napa Valley). Além desta. Robert fez diversas outras parcerias internacionais. Perfeccionista. Robert acreditava que: “”Para se alcançar o sucesso você precisa ouvir seu coração e ter a coragem de seguir seu caminho”". Em 2007 Robert foi homenageado com o título de “”pioneiro”" no “”Hall da Fama”" dos viticultores. Também em 2007 o governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger homenageou Robert por sua contribuição histórica. Robert comandou sua vinícola junto a sua esposa Margrit até seus 90 anos e aos 94 morreu em casa. A linha “”Robert Mondavi Napa Valley”" tem como objetivo exibir os melhores vinhos do Napa Valley. comparáveis aos melhores exemplares do mundo. A Linha “”Robert Mondavi Private Selection”" mostra as melhores uvas provenientes das melhores sub-regiões produtoras da Costa Central (Califórnia). A linha “”Woodbridge”" é composta por vinhos fáceis de beber, frutados e acessíveis. Perfeitos para o dia-dia.

Robert Mondavi Cabernet Sauvignon Reserve 2012 – elaborado com 88% Cabernet Sauvignon 8% Cabernet Franc e 4% Petit Verdot, mistura dos melhores blocos dentro de To Kalon, com fermentação e maceração prolongada em carvalho – um total de 35 dias de contato vinho a pele – maximizando a extração do caráter varietal e complexidade, mantendo os taninos redondos e flexíveis.  Amadurecimento de 20 meses carvalho. Teor Alcoólico de 15%. A coloração é de um intenso rubi, com muito brilho. Os aromas mostram frutas vermelhas, destaque para amora, azeitona preta, especiarias, algo terroso e toque floral. Na boca apresenta um bom corpo, taninos firmes,  acidez presente, repetindo as sensações do olfato, com  toque de salinidade. Longo final  frutado, com o toque salino se mostrando. Avaliação: 94/100 Pontos. Oferecido pelo Alex.

 

L’Ecole Nº 41 é um dos pioneiros da fria região de Walla Walla e um dos maiores nomes do estado de Washington, elaborando vinhos de grande elegância e finesse, que combinam belas camadas de fruta com grande frescor. O nome faz referência a uma antiga escola francesa, Frenchtown, onde hoje está instalada a vinícola. O vinhedo Seven Hills é realmente especial e já foi apontado pela revista Wine&Spirits como um dos “10 Melhores Vinhedos de Todo o Mundo”. Conhecida por produzir vinhos de qualidade, complexidade e riqueza, a L’Ecole Nº 41 tem foco para distinguir o terroir único da região de Washington, caracterizado como distintivo e expressivo. Os vinhos de Walla Walla são exemplares impulsionados pelo terroir, trabalhados para capturar a elegância e o equilíbrio dos vinhedos de L’Ecole Nº 41. L’Ecole tem atraído, ao longo dos anos, a atenção da impresa nacional e internacional especializada para a produção de vinhos com qualidade superior. Além disso, a vinícola recebe vários prêmios e elogios, como por exemplo, compor a lista de “Melhores Vinhos do Ano” em 2001, 2002, 2003, 2011 e 2013, elaborada segundo a Wine Spectator.

L’Ecole N° 41 Merlot Seven Hills 2008 – elaborado com Merlot 80%, Cabernet Sauvignon 10% e Cabernet Franc 10%,  provenientes do aclamado vinhedo de Seven Hills, plantado originalmente em 1981, tem certificado sustentável. Amadurecimento em barris de carvalho francês, sendo 40% novos por 18 meses. Teor Alcoólico de 14,5%. A coloração é de um rubi intenso com tons alaranjados. Os aromas mostram cereja, amora, mírtilo, cedro, café e algo floral. Na boca apresenta um bom corpo, com taninos suaves, bem integrados,  acidez equilibrada e um toque mineral, que se mostra no longo final. Avaliação: 93/100 Pontos. Preço: R$ 497,23, na Mistral.

 

O casamento da francesa Anne-Marie Liégeois com o americano Tom Hedges deu origem a uma das mais emblemáticas vinícolas de Red Mountain, que por sua vez é uma das menores AVAs (denominações de origem – American Viticultural Area) dos Estados Unidos, a prestigiosa Hedges. A família Hedges simboliza a paixão pela autenticidade e pela profunda ligação à terra que eles chamam de casa, exprimindo o conceito de propriedade vinícola moderna. Trata-se de uma rica mistura cultural e a paixão por elaborar vinhos que convergem o terroir de Red Mountain, unindo as tradições do passado e evoluindo constantemente para as próximas gerações. Utilizando agricultura sustentável, Hedges elabora vinhos de grande finesse e sutileza, em um estilo bastante elegante, que reflete as características deste excelente terroir — formado por solos sedimentares e com um clima quase desértico. Os vinhedos são cultivados em áreas que atingem temperaturas próximas de 40ºC no verão e abaixo de zero no inverno. É um terroir extremo, que dá origem a vinhos com taninos firmes e ótima acidez. Defensor apaixonado do terroir da região de Red Mountain, Tom Hedges, mesmo recebendo altas notas da imprensa especializada, declarou guerra ao sistema de avaliação de vinhos por pontos, criando o movimento Score Revolution, que conta com algumas centenas de seguidores. O movimento prega que os críticos não devem usar qualificações numéricas para descrever os vinhos.

Hedges CMS Cabernet Merlot Syrah 2010 – elaborado com 48% Cabernet Sauvignon, 40% Merlot e 12% Syrah, vinhedos de Red Mountain, com amadurecimento de  50% do vinho em carvarlho por 10 meses sendo 60% de carvalho francês e 40% carvalho americano. Teor Alcoólico de 13,5%. A coloração é de um rubi brilhante. Os aromas mostram  frutas vermelhas (cereja e framboesa), frutas negras (ameixa, amora, mírtilo), especiarias, leve balsâmico, toque de alcaçuz e algo picante. Na boca as sensações do olfato se repetem, num bom corpo, com taninos firmes e bem integrados, acidez equilibrada. Bom final com o frutado se destacando. Avaliação: 92/100 Pontos. Preço: R$ 223,25, na Mistral.

 

A vinícola Seghesio foi criada em 1985, quando o imigrante e enólogo italiano Edoardo Seghesio plantou sua primeira vinha Zinfandel – ícone da adega nos dias de hoje. Edoardo e sua esposa Angela, deram continuidade ao cultivo dos vinhedos e, durante o século XX, foi um dos principais fornecedores de vinho a granel para as grandes vinícolas da Califórnia. Com a chegada da era moderna, o quarto membro da família, Ted, deu origem a um dos primeiros vinhos rótulados como Seghesio. Atualmente, Seghesio recebe amplo prestígio pelos vinhos excepcionais elaborados com a uva Zinfandel, bem como a partir de castas italianas. O meticuloso trabalho com as vinhas, aliados a experiência transmitida de geração para geração e as práticas vinícolas modernas, garantem o exitoso cultivo de diferentes variedades, bem como elevada qualidade em cada vintage. O resultado de tal trabalho garante que os rendimentos das videiras estejam abaixo da média da indústria, proporcionando que as uvas concentrem melhor seus aromas e sabores, dando origem a vinhos excepcionais.A uva Zinfandel, especialidade da família Seghesio, é uma das castas com o cultivo mais difícil, uma vez que tende a amadurecer de forma desigual. Dessa maneira, Ted, ao lado dos demais especialistas e agrônomos da vinícola, visam eliminar o máximo dessa “variabilidade” durante todo o período de crescimento da variedade, cultivando vinhas equilibradas e que deem origem a uvas de alta qualidade.

Seghesio Old Vine Zinfandel 2013 – elaborado com 100% Zinfandel, do Chen’s Vineyard plantado em 1972, em Dry Creek Valley., com amadurecimento de 12 meses em carvalho. Teor Alcoólico de 14,8%. A coloração é de um rubi intenso e brilhante. Os aromas mostram cereja, framboesa, amora, alcaçuz e leve pimenta. Na boca apresenta um bom corpo, com taninos suaves, acidez em equilíbrio e um toque apimentado. Bom final frutado com o alcaçuz se mostrando. Avaliação: 92/100 Pontos. Preço: R$ 470,47, na Mistral

 

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