SOBRE
Osvaldir Castro
Biólogo e Winemaker, ministrando cursos e palestras sobre Vinho (como hobby) e participando de várias confrarias onde, com os amigos, compartilha e troca informações referentes ao tema. Lema: como bom enófilo, Diante de decisões, tomo o vinho.

Os portugueses degustados na Confraria do Vinho

20191023_215338

Com vinhos da Bairrada, Tejo e Douro, o Lorga fez a excelente seleção  dos portugueses para a degustação de outubro, da Confraria do Vinho de São Jose´do Rio Preto.  Vamos aos vinhos.

A Quinta de Foz de Arouce situa-se no Conselho da Lousã, na região das Beiras. Está rodeada pelos contrafortes das Serras da Lousã e Penela e é banhada pelos rios Arouce e o Ceira onde o primeiro desagua. Os antigos documentos existentes na casa referem as propriedades como pertencentes da família desde o Sec. XVIII, sendo que algumas dependências são mais antigas, pois a primitiva casa foi por duas vezes consumida pelo fogo. A capela contígua à casa foi fundada  pelo Papa Benedito XIII em 24-08-1724. A cultura da vinha conhece-se neste local desde as ocupações Visigodas da Península, como atestam várias lendas que dizem ter o Rei Arunce guardado vinho, entre outros preciosos bens, no seu castelo da Lousã. A produção vitivinícola na quinta mistura-se com a própria história e demarcação da propriedade, sendo hoje, tal como a adega, a única que se conhece na região.Dos 60 hectares que hoje compõem a quinta, 15 são de vinha. A vinha é composta por 3 hectares com mais de 50 anos, (vinha de Sta. Maria), por 9 hectares de vinha com 5 anos e por 3 hectares de vinha velha em reconversão. As castas tintas são distribuídas pela Baga, 80% e pela recém introduzida Touriga Nacional, 20%; as brancas, 5% do encepamento total, são na sua maioria Cerceal. Os atuais proprietários, os Senhores Condes de Foz de Arouce, procuram manter o espírito hospitaleiro e desprendido com que recebem em sua casa e que caracteriza a verdadeira nobreza lusitana. A produção de vinho é como que a continuação desse espírito que se reflete na sua filosofia comercial: “Com bom vinho fazem-se sempre bons e verdadeiros amigos”.

QUINTA DE FOZ DE AROUCE VINHAS VELHAS DE SANTA MARIA 2015  – elaborado com 85% Baga (videiras com mais de 70 anos) e 15% Touriga Nacional, com amadurecimento de 14 meses em meias barricas novas de carvalho francês. Teor Alcóolico de 13,5%. A coloração é de um intenso rubi, com halo púrpura e média transparência. Os aromas mostram ameixa, amora, sândalo, cedro, notas de tabaco e toque  mineral. Na boca apresenta um bom volume, com taninos firmes, elegantes e bem integrados ao frutado, com leve adstringência  e muita complexidade, que se mantém no longo final, com mineral se mostrando. Avaliação: 94/100 Pontos. Preço: R$ 450,00, na Decanter Rio Preto

Situada no vale do rio Pinhão perto da aldeia de Vale de Mendiz, a origem da Quinta do Passadouro remonta ao Séc XVIII, surgindo referenciada no célebre mapa do Douro elaborado pelo Barão de Forrester. Em 1991, Dieter Bohrmann, um empresário alemão apaixonado pelo Douro, decidiu comprá-la. Ele acreditava que com as uvas de alta qualidade do Douro, era possível não só produzir Vinho do Porto, mas também vinhos de mesa de gama alta. A sua idéia consistia em reservar alguns dos melhores lotes da produção com o objetivo de criar um vinho tinto de qualidade premium, como expressão máxima do que este terroir é capaz de oferecer. Para o conseguir, só lhe faltava o enólogo certo. Por isso, convidou Jorge Serôdio Borges para assumir a responsabilidade total da Quinta.

PASSADOURO TOURIGA NACIONAL 2011 - elaborado com Touriga Nacional (100%), vinhas velhas de Vale de Mendiz, com 50 a 70 anos de idade, com uma percentagem da Quinta do Síbio, pisado a pé nos tradicionais lagares de granito da Quinta do Passadouro. Estagiou 17 meses em barricas de carvalho francês.  Teor Alcoólico: 14,5%. A coloração é de um rubi intenso, quase opaco. Os aromas mostram frutas silvestres, madeira  e toques florais. Na boca apresenta taninos macios, bem integrados ao frutado, acidez equilibrada. Um vinho redondo. Longo final com o toque amadeirado se mostrando. Avaliação: 91/100 Pontos. Preço: R$ 350,00, no Abadesco.

Em 1990, João Portugal Ramos plantou os primeiros cinco hectares de vinha em Estremoz, onde vive desde 1988, dando início ao seu projeto pessoal.  A primeira vindima realizou-se em 1992 e nos anos que se seguiram o vinho foi elaborado em instalações arrendadas, sendo 1997 o primeiro ano em que foi vinificado nas novas instalações. Em 2004 nasce a Falua tendo como objetivo prioritário engrandecer os vinhos da região Tejo e torná-los mais conhecidos no mundo com uma adega em Almeirim, equipada do mais sofisticado e moderno equipamento.

CONDE DE VIMIOSO RESERVA 2015 – elaborado com 50% Touriga Nacional, 30% Aragonês e 20% Cabernet Sauvignon, com  amadurecimento em barricas de carvalho  francês. 16 meses em barricas novas e de 2° uso . Teor Alcoólico de 14,5%. A coloração é de um rubi intenso, com nuances violáceas e bom brilho. Os aromas mostram boa expressão de fruta, toques balsâmicos, chocolate e tostado. Na boca apresenta um ótimo corpo, com taninos finos, acidez refrescante, austero e equilibrado. Longo final com muita fruta e chocolate se mostrando. Avaliação: 92/100 Pontos. Preço: R$ 300,00, na Decanter Rio Preto. 

A Quinta do Vallado, construída em 1716, é uma das Quintas mais antigas e famosas do Vale do Douro. Pertenceu à lendária Dona Antónia Adelaide Ferreira e mantém-se até hoje na posse dos seus descendentes. Situa-se nas margens do Rio Corgo, um afluente do Rio Douro, mesmo junto à foz, perto da localidade de Peso da Régua. Durante cerca de 200 anos a Quinta do Vallado teve como principal atividade a produção de vinhos do Porto, comercializados posteriormente pela Casa Ferreira (que pertencia à Família).Depois de Dona Antónia Adelaide Ferreira, foram o seu bisneto – Jorge Viterbo Ferreira, e trisneto – Jorge Cabral Ferreira, os responsáveis pelo grande desenvolvimento e crescimento da Quinta. Com a tradição secular de vender a sua produção à casa Ferreira, foi em 1993, já sob a direção de Guilherme Álvares Ribeiro e sua mulher Maria Antónia Ferreira, que a empresa decidiu alargar a sua atividade à produção, engarrafamento e comercialização de vinhos com marca própria. Foi nesse mesmo ano, e sob a orientação do Prof. Nuno Magalhães, que se iniciou uma profunda reestruturação das vinhas, tendo como objetivos primordiais a produção de castas de grande qualidade, e a utilização de sistemas de plantação e condução que permitissem um melhor desenvolvimento vegetativo. Hoje, com 50 ha de vinha com idade entre 11 a 18 anos, compensada por 20 ha das melhores parcelas de vinha com mais de 80 anos, a Quinta do Vallado e os seus responsáveis, João Ferreira Álvares Ribeiro, Francisco Ferreira (responsável pela gestão agrícola) e Francisco Olazabal (enólogo), todos tetranetos de Dona Antónia, alcançaram já um patamar muito elevado, reconhecido por várias instâncias nacionais e internacionais.A nova adega e cave de barricas, cuja construção se iniciou em 2008, e com conclusão no fim de 2009, alia a mais avançada tecnologia com uma arquitetura de grande qualidade, o que a torna num dos lugares a se visitar, no Vale do Douro.

QUINTA DO VALLADO SOUSÃO 2014 – elaborado com 100% Sousão, com vinificação em lagares com pisa tradicional a pé durante 6 dias, com fermentação em barricas francesas onde permaneceu mais 18 meses. Sendo 40% barricas novas e 60% barricas de 2º ano. Teor Alcoólico de 13,5%. A coloração é de um rubi violáceo intenso e brilhante. Os aromas mostram frutos pretos, tabaco, especiarias com notas balsâmicas. Na boca apresenta bom corpo, taninos suaves e integrados, excelente acidez, com toque mineral. Longo final frutado, com o mineral se mostrando. Avaliação: 92/100 Pontos. Preço: R$ 429,00, na Bekaa.

VALLADO RESERVA FIELD BLEND 2016 – elaborado com 34 castas com predominância da Tinta Roriz, Tinta Amarela, Touriga Franca e Tinta Barroca, vinhas velhas com mais de 100 anos. Amadurecimento em  meias pipas de carvalho Francês onde permaneceram durante 18 meses, sendo  40% barricas novas e 60% barricas usadas. Teor Alcoólico de 14,5%. A coloração é de um rubi intenso e  brilhante. Os aromas mostram amora,  figo, tabaco e notas balsâmicas. Na boca apresenta um bom corpo, taninos firmes, repetindo as sensações do olfato, com algo de mineral. Longo final frutado com o toque mineral se mostrando. Avaliação: 91/100. Preço: R$ 510,00, na Bekaa

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>


Copyright © 2013. Todos os direitos reservados.