SOBRE
Osvaldir Castro
Biólogo e Winemaker, ministrando cursos e palestras sobre Vinho (como hobby) e participando de várias confrarias onde, com os amigos, compartilha e troca informações referentes ao tema. Lema: como bom enófilo, Diante de decisões, tomo o vinho.

O vinho do Descobrimento

 

Diz a lenda que Pedro Álvares Cabral trouxe tonéis de Pêra-Manca nas caravelas que desembarcaram na costa brasileira. No primeiro teste em terras brasileiras, o vinho não foi lá um sucesso. No relato de sete folhas enviado por Pero Vaz de Caminha com suas primeiras impressões desta terra, os primeiros críticos – aquele povo que “andava nu, sem nenhuma cobertura” – detestaram aquela bebida. 

A tradição do vinho Pêra-Manca remonta à Idade Média. Reza a história que por volta de 1365, Nossa Senhora teria aparecido em cima de um espinheiro a um pastor. Alguns anos depois, foi edificado um oratório em sua honra e em 1458, dada a crescente importância do local como ponto de peregrinação, uma igreja.  Posteriormente foi fundado um Convento, que viria abrigar a Ordem de S. Jerónimo. E, nos séculos XV e XVI, os vinhedos de Pêra-Manca eram propriedade dos frades do Convento do Espinheiro. 

Em 1517, os frades foram obrigados a arrendar esses vinhedos – por ser muito dispendioso o seu trato – a Álvaro Azedo, escudeiro do Rei e a sua mulher, Filipa Rodrigues. . Foi recuperado no século XIX pela Casa Soares, propriedade do Conselheiro José António d’Oliveira Soares, que o transformou num vinho sofisticado. Contudo, na sequência da crise filoxérica, a Casa Soares deixou de produzir o Pêra-Manca. 

Foi o herdeiro da extinta Casa Soares, José António de Oliveira Soares, quem, no ano de 1987, ofereceu o nome à Fundação Eugénio de Almeida, que passou a utilizar como rótulo a adaptação de um cartaz publicitário desenhado por Roque Gameiro. 

O nome Pêra-Manca deriva de pedra manca (ou oscilante), uma formação granítica de blocos arredondados em desequilíbrio sobre a rocha firme. Trata-se, portanto, de uma toponímia e não do nome da fruta, como se pode pensar  (muita gente achava que era um defeito na pata do cavalo do rótulo…) 

A Fundação produziu o primeiro Pêra-Manca tinto, em 1990. O vinho só é produzido em anos excepcionais. Nos demais anos, as garrafas são rotuladas como Cartuxa Reserva . Desde então foram apenas produzidos mais onze, em 1991, 1994, 1995, 1997, 1998, 2001, 2003 (data em que o rótulo foi mudado),2005, 2007, 2010 e 2013,recentemente lançado no Brasil  . Esta exiguidade é justificada pelo elevado grau de exigência na seleção das colheitas que só poderão ser, naturalmente, de qualidade excepcional. 

As uvas, a partir das quais se produz o Pêra-Manca, são provenientes de vinhas com mais de 25 anos, de talhões selecionados. O tinto é produzido a partir das castas Trincadeira e Aragonez e o branco tem como base as castas Antão Vaz e Arinto. 

Para evitar fraudes, uma vez que o vinho é cobiçado internacionalmente,  a FEA criou um selo de autenticidade que consiste em um código único, associado à uma imagem holográfica incorporada na cápsula da garrafa, que pode ser validado no site da marca. 

Na safra 2013 foram produzidas apenas 19.500 garrafas que devem chegar ao consumidor final com o preço médio de R$1800,00. 

Um vinho para se louvar!

Pêra-Manca-2011

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