SOBRE
Osvaldir Castro
Biólogo e Winemaker, ministrando cursos e palestras sobre Vinho (como hobby) e participando de várias confrarias onde, com os amigos, compartilha e troca informações referentes ao tema. Lema: como bom enófilo, Diante de decisões, tomo o vinho.

Minas, uma nova fronteira

fazenda

Murillo de Albuquerque Regina, um mineiro especialista em viticultura com PhD em Bordeaux, sempre ouvia em sua formação acadêmica, na França, que nas melhores regiões vitícolas mundiais o clima no período que antecede a colheita é caracterizado por dias ensolarados e noites frias, acompanhados de solo seco. Um pensamento não saía de sua cabeça: “É exatamente o que acontece na minha terra em maio, junho e julho, se eu quiser obter uma boa uva para vinho eu tenho de inverter o ciclo das plantas”. O conceito da inversão do ciclo da planta baseia-se na seguinte constatação de Murillo: o grande déficit dos vinhedos tradicionais do Brasil é que chove no momento da colheita, com isso o vinho não tem corpo, a acidez é elevada e a colheita tem de ser antecipada, como ocorre com as videiras no Sul e no Sudeste.

A idéia foi materializada, anos depois, com a criação da Vinícola Estrada Real, que tem como sócios Murillo de Albuquerque Regina, o médico Marcos Arruda Vieira e os franceses Patrick Arsicaud e Thibaud de Salettes, que participam junto com Murillo da empresa de clones de mudas viníferas Vitacea Brasil.

Em 2001 a Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), tendo Murillo Regina à frente, deu início aos estudos sobre a técnica da poda invertida em Três Corações com o objetivo de corrigir este processo e tapear a planta. Foi desenvolvida então a técnica de dupla poda para as videiras viníferas mineiras. Uma poda é feita em agosto e outra em janeiro. Com a segunda poda, em janeiro, o ciclo recomeça e a planta floresce em abril e maio e as uvas são colhidas no final de julho, início de agosto.Ou seja, na época da colheita os dias são ensolarados (até 27º), as noites mais frias (cerca de 10º) e a amplitude térmica, que é a diferença do dia e da noite, chega a 15 e 17º. Outra característica importante para o sucesso da empreitada: o regime de penúria hídrica, a popular escassez água, que faz com que a planta envie sinais para as raízes e folhas de que vai faltar água e afetar o seu filho (as sementes encapsuladas nos bagos das uvas). Assim a planta protege as uvas, produzindo frutos melhores.

A Syrah foi a uva que melhor se adaptou ao esquema de dupla poda e às pesquisas realizadas. Foram plantadas 10 hectares desta variedade na Fazenda da Fé. O Primeira Estrada Syrah, um tinto e um rosado, a venda no mercado, revelaram-se uma grata surpresa e já estão em testes  de adaptação ao processo de poda invertida outras uvas tintas na região, como a Cabernet Sauvignon, a Malbec, a Petit Verdot e a Tempranillo. Os planos da Vinícola Estrada Real é chegar 2016 com uma produção de 35.000 a 40.000 garrafas por ano. As 10.000 garrafas atuais de Syrah devem dobrar de produção até lá.

Esta é, sem dúvida, uma nova fronteira para o vinho nacional.

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