SOBRE
Osvaldir Castro
Biólogo e Winemaker, ministrando cursos e palestras sobre Vinho (como hobby) e participando de várias confrarias onde, com os amigos, compartilha e troca informações referentes ao tema. Lema: como bom enófilo, Diante de decisões, tomo o vinho.

Castas (C)

 

Cabernet

Cabernet é a denominação geral para a uva vermelha Cabernet Sauvignon, já que o Cabernet Franc é mais raro. O Cabernet pertence aos vinhos mais finos e disseminados internacionalmente.

Cabernet Franc

A uva vermelha Cabernet Franc fica mais à sombra do Cabernet Sauvignon, apesar dessa ter sido originada de cruzamento natural entre a Cabernet Franc e a Sauvignon Blanc. O vinho originado da Cabernet Franc é mais claro e envelhece muito bem. É mais frugal que o Cabernet Sauvignon e mais adequado ao clima mais frio. Essa espécie deve ser muito antiga, pois foi encontrado gens de uvas selvagens no estudo genético dessa uva. O vinho Cabernet Franc não pode ser deixado de ser nomeado entre os vinhos de Bordeaux. Junto ao Cabernet Sauvignon e Merlot, forma o trio ideal para quase todos os Bordeaux. O Cabernet Franc também é cultivado na Austrália, Califórnia e Nova Zelândia, com sucesso.

Cabernet Sauvignon

O Cabernet Sauvignon (foto) passou a pertencer aos Bordeaux relativamente tarde, somente no final do século XVIII. Chegou e roubou a cena, aparecendo em grande estilo, logo tomando o lugar de espécie principal. Não se sabe no entanto, ao certo, a sua origem. De qualquer forma, é o rei dos vinhos tintos. Na região de Bordeaux, mostrou que reage sensivelmente às características do solo.  Enquanto origina vinho único em Haut-Médoc ou Graves, cujo solo é irrigado e rico em cascalho, em locais próximos, serve à produção de vinhos medianos. Cabernet Sauvignon amadurece tarde
As videiras de Cabernet Sauvignon produzem uvas escuras, azuladas, pequenas, de casca grossa e muitos caroços. A casca protege a uva do apodrecimento, mas não dos fungos. O amadurecimento é tardio. Se não maduro o suficiente, o Cabernet Sauvignon tem aroma de pimenta verde e preta e fica amargo. O armazenamento em barrica atribui ao Cabernet Sauvignon um charme especial.Cabernet Sauvignon harmoniza com muitas espécies. Durante os últimos séculos, o Cabernet Sauvignon dominou o mundo inteiro. Enquanto o mundo novo produz vinhos mais aromáticos, na Europa, o Cabernet Sauvignon vem sendo harmonizado mais e mais com outras espécies: na Itália, junto ao Sangiovese, na Espanha, junto ao Tempranillo, em Portugal, junto ao Castelão e na França, com o Syrah ou Grenache. Ele atribui caráter e estrutura a esses vinhos, sem tirar-lhes, no entanto, sua características regionais.  Assim, o Cabernet Sauvignon mantém-se, mesmo fora de Bordeaux, como espécie para verdadeiros amantes do Terroir.

Caladoc

Caladoc é uma uva vermelha resultante da mistura entre a Grenache e a Malbec. O objetivo do INRA, instituto francês de pesquisa do vinho, era produzir uma espécie que fosse semelhante ao Grenache mas mais resistente, evitando a queda das flores da videira. O vinho Caladoc é aromático e rico em tanino, lembrando mais o Grenache do que o Malbec. É produzido em pequena quantidade, especialmente na região da Provence.

Canaiolo

A uva vermelha Canaiolo ou Canaiolo Nero pode ser encontrada na região central da Itália e em Sardinha. Faz parte do conteúdo do Chianti. Ainda no século XIX, a Canaiolo era mais disseminada do que a Sangiovese. A uva Canaiolo é muito resistente. O aroma forte e a cor escura são suas características próprias, sendo misturada a outras  espécies, como o Sangiovese. Geralmente não é utilizada sozinha para a produção de vinho por ressaltar o gosto amargo. O Canaiolo Nero está presente em 15 vinhos certificados (DOC). Na região da Umbria, há a espécie branca, a Canaiolo Bianco.

Cannonau

A uva vermelha Cannonau é idêntica à Grenache Noir francesa e à Garnacha francesa. Em Sardinha, há 100 km² de vinhedos, onde essa uva bem se adaptou. Origina o Cannonau di Sardegna (DOC), que utiliza exclusivamente essa uva.

Carignan

A uva Carignan é, após a Grenache, a segunda mais comum no mundo. A casta é antiga e obteve o nome da cidade espanhola de Cariñena. Dessa cidade, a partir do século XII, essa uva ampliou-se pela Europa, encontrando-se hoje na França (Provence), Espanha, Itália, Califórnia e Algéria. O vinho de Carignan é rico em tanino, ácido e de cor escura. Falta a esse vinho individualidade e finesse, exceto se produzido a partir de vinhas muito antigas. Geralmente é misturado ao Cinsault e Grenache. A uva não é robusta, suscetível facilmente às pragas e apodrecimento.

Cariñena

Cariñena é o sinônimo em espanhol da uva Carignan. Ela dá origem a um vinho certificado advindo do norte da Espanha. Aliás, o nome Carignan vem da cidade de Cariñena, onde esta espécie surgiu há cerca de 800 anos.

Catarratto

A uva branca Catarratto cresce quase que exclusivamente na Sicília, em uma área de cerca de 700 km², tornando-a a segunda espécie de uva branca mais cultivada na Itália. Também é conhecida como Catarratto Bianco e há em duas formas: Catarratto Bianco Comune o Catarratto Bianco Lucido, de melhor qualidade.Os vinhos são aromáticos e de boa estrutura. Dessa uva são produzidos a, um vinho-licor  Likörwein da Sicília e o Vermut. Catarratto também faz parte de muitos outros vinhos, como a Etna DOC, onde esta espécie é a dominante.

Cencibel

Cencibel é uma uva vermelha muito apreciada em La Mancha e Valdepeñas na Espanha, também chamada Tempranillo.

Chardonnay

Chardonnay é na uva branca o que o Cabernet Sauvignon é na vermelha. O Chardonnay ocupa o sétimo lugar em freqüência de cultivo.Quais as vantagens do Chardonnay? O que faz essa uva tão especial? Em primeiro lugar, adapta-se facilmente, no norte ou no sul, em regiões frias ou quentes, em secas ou úmidas e nos diferentes tipos de solo. O risco para o produtor é pequeno. Mais importante do que os aspectos relativos oa cultivo, são as qualidades do vinho originado a partir dessa uva. É excelente junto com o Riesling. Pode ser colocado em barrica, o que é uma exceção para vinhos brancos. Traz nuances de fumaça e aromas de nozes, alto teor de álcool e pouco ácido. Chardonnay serve para a produção de espumantes. Por isso a maior região de cultivo de Chardonnay na França é em Champagne. Também são produzidos vinhos doces finos a partir dessa uva. Por ser polivalente, essa uva conquista o mundo inteiro. O grande boom do Chardonnay nos anos 80 e sua possibilidade de ser produzido em barris de madeira, trouxeram uma desvantagem a esse vinho: a maioria dos vinhos Chardonnay têm o mesmo gosto. A única diferença está na barrica, especialmente na Austrália e Califórnia. Para um distribuidor de vinhos, é preciso descobrir dentre os tantos Chardonnay, a agulha no palheiro. Os que conseguem transmitir suas características sem a barrica, são os Terroir-Chardonnay. O vinho biológico é tendência  a crescer.

Chasselas

Chasselas é o nome suíço para a uva branca Gutedel. A denominação advém da cidade francesa provavelmente originária da uva, em Mâcon,  Burgund. É cultivada em Kantone Wallis e Waadt, onde são produzidos os vinhos Epesses, Aigle e Fendant. 40% dos vinhedos suíços são cobertos por essa uva. Também é chamada de Chasselas Blanc.

Chenin Blanc

Quase não há outra uva capaz de produzir tão diferentes vinhos como a Chenin Blanc. Os melhores vinhos são obtidos das vinhas em ótima localização e muito sol. Se o produtor visar a quantidade, o vinho obtido será mediano. Se o clima foi frio e chuvoso, predomina a acidez marcante do Chenin Blanc.É espécie antiga, cultivada desde o século IX em Anjou, na França. Hoje é cultivada no mundo inteiro. Na França, é denominada Pineau de la Loire ou Pineau d’Anjou, na América do Sul, como Pinot Blanco e, na África do Sul, Chenin Blanc Steen, onde é a uva mais cultivada. Atualmente, houve uma redescoberta de que essa uva pode produzir vinhos de qualidade como o Vale do  Loire faz há tempo com o Anjou, Saumur e Vouvray.
Como a Chenin Blanc é suscetível à botrytis, o que causa o apodrecimento a fruta, serve perfeitamente para a produção de vinhos doces. Sua acidez marcante a torna própria, por outro lado, à produção de espumantes. Muitos países apreciam essa uva também como uva de mesa. Ela é, no dizer de Jancis Robinson, o camaleão das espécies de uva.

Ciliegiolo

A uva vermelha Ciliegiolo  é conhecida em função de seu aroma e cor de cereja. Há mais de 10 vinhos certificados, originados dessa uva, freqüentemente misturada à Sangiovese. Ciliegiolo pode ser encontrado em toda a Itália central. Em parte, também é utilizada como uva de mesa.

Cinsault

Cinsault é uva vermelha antiga do sul da França. A cor clara, o aroma suave e de frutas fazem dessa uva ideal para a produção de vinho rosé. É suscetível à utilização da colheita mecânica, servindo para a produção de vinhos de preço mais acessível. Enquanto a Argélia ainda pertencia à  França, foram lá produzidas grandes quantidades de Cinsault e transportadas para misturá-las a outras espécies em Burgund. Hoje esse procedimento de mistura ainda é utilizado, como no caso do vinho fino Châteauneuf-du-Pape. Na Itália, essa uva é conhecida como Ottavianello e é muito popular. Também pode ser encontrada, pois na Itália, Córsega, Austrália e África do Sul. A espécie famosa da África do Sul, denominada Pinotage, nasceu de um cruzamento da Pinot Noir com a Cinsault

Clairette

Clairette é utilizada como sinônimo para muitas espécies de uva, como por exemplo, Clairette d’Afrique = Trebbiano Toscano, Clairette Grosse = Bourboulenc, Clairette Monde = Ugni Blanc. Também é conhecida como Clairette Blanche, sendo muito cultivada no sul da França. Nesse país, é conhecida como Blanquette, Clairette de Limoux, Muscade e Petit Blanc. Além da França, a África do Sul, a Austrália, a Rússia e a Hungria cultivam essa uva. Dela são produzidos vinhos com alto teor alcoólico, servindo à produção de espumantes.

Colombard

A uva branca Colombard é cultivada no novo mundo, produzindo vinho em massa e para a produção de outras bebidas alcoólicas. Vem da França, sendo cultivada na região do Armagnac para a produção do Vin du Pays de Gascogne. Antigamente, servia, junto com a Ugni Blanc e Folle Blanche para a produção de Cognac. Serve também ao Armagnac.

Colorino

A uva vermelha Colorino é utilizada, como o próprio nome sugere, como uva colorante. Dela é produzido vinho escuro e rico em tanino. Se misturada, mesmo em pequenas proporções, essa uva dá cor escura ao vinho. A quantidade de vinhedos é restrita, mas muitos vinhos lucram dessa uva na Toscana: do Chianti até o Vino Nobile di Montepulciano.

Corinto Nero

Corinto Nero é uva vermelha também chamada de Passolina di Lipari, presente em pequenas áreas na Sicília e em outras pequenas ilhas. É misturada a outras uvas para a produção de vinho.

Cortese

A uva branca  Cortese é originária do Piemonte, onde hoje é cultivada. Serve como uva única para a produção do Gavi DOCG, do Cortese dell’Alto Monferrato DOC e do Colli Tortonesi DOC. Vinho produzido a partir dessa uva é aromático, com sabor de frutas, mas perde rápido a intensidade se as videiras não forem limitadas. O nome  Cortese foi citado em 1798, pela primeira vez, como espécie principal de Alexandria, sob a denominação de  Curteisa.

Corvina

A parte principal dos vinhos tintos de origem Valpolicella e Bardolino é a uva vermelha Corvina, espécie de uva vermelha que quase somente é cultivada na região do Vêneto. Muitas das características do Amarone e do Recioto devem-se à Corvina. Se produzida sozinha, a Corvina traz ao vinho tinto uma leveza, com um leve buquê de amêndoa, mas se servir como única espécie para a produção do vinho, este não atinge a harmonia. Por essa razão, é adicionada a outras espécies

Côt

Côt é a denominação da uva vermelha Malbec no oeste da França. Há mais de 400 sinônimos para essa uva.

Counoise

A uva vermelha rara Counoise é produzida em pequena quantidade no sul do Rhône e em Languedoc, originando vinhos ácidos e vibrantes. Até o Châteauneuf-du-Pape contém Counoise, como muitos outros vinhos dessa região.

Fonte: Adega 24

 

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