SOBRE
Osvaldir Castro
Biólogo e Winemaker, ministrando cursos e palestras sobre Vinho (como hobby) e participando de várias confrarias onde, com os amigos, compartilha e troca informações referentes ao tema. Lema: como bom enófilo, Diante de decisões, tomo o vinho.

A degustação de Châteneuf-du-Pape no Clube dos Amigos do Vinho

 

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A confraria Clube dos Amigos do Vinho realizou, na noite de ontem, a sua reunião mensal, tendo por local o Restaurante e Pizzaria San Remo. Estiveram presentes: André, Marco Antonio, José Manoel, Pradela, Pablo, Osvaldir, Alex, José Luiz  e  Osvaldir Filho. Foram degustados Vinhos Châteuneuf-du-Pape,  sendo o branco Cão Perdigueiro Chardonnay 2017, oferecido pelo Osvaldir, o vinho de aquecimento. Vamos aos vinhos degustados com a média de avaliação e a classificação.

M. Chapoutier La Bernardine Châteauneuf-du-Pape 2015 – Média: 92/100 – 5º. Lugar

Chateau de La Gardine Châteauneuf-du-Pape 2015 – Média: 94/100 – 1º. Lugar

P. Ferraud & Fils Châteauneuf-du-Pape 2015 – Média: 92/100 – 4º. Lugar

Château de Beaucastel Châteauneuf-du-Pape 2008 – Média: 94/100 – 2º. Lugar

Châteauneuf-du-Pape Réserve des Argentiers 2016 – Média: 92/100 – 3º. Lugar 

Um pouco sobre Châteauneuf du Pape. Châteauneuf du Pape possui uma interessante história. Na época romana, a videira já cobria a maior parte do território de Châteauneuf-du-Pape. A primeira evidência escrita de sua existência, no entanto, data  de 1157, sendo descrita uma vinha mantida por Geoffrey, bispo de Avignon, em torno de seu castelo.  Entre os anos de 1309 e 1377, o papado mudou sua sede de Roma, para a região francesa de Avignon, iniciando uma dinastia de sete papas franceses, que só acabou em 1377, com a volta do papado para Roma. O vinho, Chateauneuf du Pape – novo castelo do Papa -, tem seu nome exatamente por este motivo. Em 1314, Clemente V, o primeiro papa de Avignon, descobriu a riqueza do terroir de Châteauneuf-du-Pape e seu sucessor, João XXII,  espalhou o nome para além das fronteiras. Ele construiu nas uma poderosa fortaleza, que ao longo dos anos tornou-se a residência de verão dos papas na cidade. Mais importante, ele deu ao vinho o status popular de “Vinho do Papa”, que passou a ser servido  durante as festividades, aos embaixadores  e outras autoridades estrangeiras, ampliando as fronteiras, especialmente para a Itália, Alemanha e Grã Bretanha. O vinho mais importante e prestigiado do Sul do Rhône, responde por cerca de 3% da produção francesa. Com uma área de produção de 3160 hectares,  os vinhedos de Châteauneuf-du-Pape produzem  entre 90 000 e 105 000 hectolitros de vinho por ano e vende anualmente cerca de 14 milhões de garrafas. Na sua composição podem ser usadas até 13 cepas  tintas e brancas:  Grenache, Syrah, Cinsaut, Mourvédre, Counoise, Clairette, Bourbolenc, Roussane, Picpoul, Vaccarèse, Muscardim, Terret Noir e Picardan, mas dificilmente um produtor  têm todas em seus vinhedos .  Nos últimos anos a tendência tem sido ir incluindo menos, ou até nenhuma, das variedades brancas permitidas, e confiar principalmente (ou exclusivamente) na Grenache, na Mourvèdre e na Syrah.

Chapoutier é o maior nome do Vale do Rhône. Michel Chapoutier – um dos maiores enólogos da França, eleito diversas vezes “enólogo do ano” pela Revue du Vin de France – deu uma nova dimensão aos vinhos da região, atingindo a perfeição nas diversas denominações do norte e do sul. Michel é adepto da viticultura biodinâmica e da agricultura orgânica. Seus vinhos impecáveis e elegantes – Hermitage, Côte Rôtie, St. Joseph, Cornas, Châteaneuf, entre outros – são referências para a região. As raríssimas “seléction parcellaire” são verdadeiros monumentos, entre os melhores e mais reverenciados vinhos do mundo. A história da família Chapoutier remonta ao início do século XIX, quando o bisavô do atual proprietário, Michel Chapoutier, Marius, comprou a propriedade e algumas vinhas na famosa aldeia de Tain l’Hermitage, no norte do Vale do Rhône. Marius Chapotier fez história na região, quando se tornou o primeiro produtor que vinificava seu próprio fruto.

M. Chapoutier La Bernardine Châteauneuf-du-Pape 2015 -  elaborado com, com – 60%  Grenache, 25%  Syrah e 15% de outras variedades amadurecimento de 12 meses em tanques de concreto. Teor Alcoólico de 14,5%.  A coloração é de um vermelho-rubi intenso e brilhante. Os aromas mostram cereja, framboesa, cassis, chocolate, pimenta negra, alcaçuz e toque floral. Na boca as sensações olfativas se repetem, com destaque para os toques florais. Num bom corpo, os taninos macios estão bem integrados ao frutado. Ótima textura. Longo final com o floral em destaque. Avaliação:92/100 Pontos. Preço:R$ 516,00, na Kylix.

Existem duas explicações diferentes para a origem do nome do castelo de la Gardine . Uma diz que se trata  da localização geográfica do palácio e sua função defensiva (la garde = o guarda ) .A outra diz que o nome deriva da família Gardini, os senhores da Entraygues e Fragues perto de Orange, que teriam sido os proprietários do palácio. De uma forma ou de outra, os relatórios confirmam a existência da propriedade desde 1699. Um cadastro que data de 1763 menciona vinhas e pomares. Em 1872, a casa da fazenda foi construído com o dobro do tamanho do palácio original . Houve um grande número de proprietários diferentes , como Anselme Mathieu , um famoso poeta  da Provence, a quem uma parte das vinhas pertenciam. A família de Brunel , que  comanda a vinícola desde 1670, adquiriu a propriedade em 1945, juntamente com cerca de 10 hectares de vinhedos.  Gaston Brunel expandiu  a propriedade , em 1948, construindo uma praça ,  e uma  torre de 22 metros de altura. Maxime Brunel seguiu os passos de seu pai , em 1956 , acompanhado por seu irmão Patrick , em 1964.modernizando as instalações e comprado mais vinhedos. Gaston Brunel morreu em 1986. Depois de terminar seus estudos em viticultura e enologia em Beaune, ofilho de Maxime começou a trabalhar na propriedade , e em 1989 sua irmã Marie- Odile se juntou à equipe depois de terminar seus estudos de enologia e marketing internacional , em 1994.O Château de la Gardine   possui 48 hectares de uvas tintas e 4 hectares de uvas brancas. A vinícola faz quatro tintos e dois vinhos brancos. As vinhas em algumas parcelas foram plantadas por volta de 1925 .

Château De La Gardine Châteauneuf du Pape 2015 – elaborado com 65% Grenache Noir, 15% Mourvèdre, 14% Syrah e 1% Muscardin  , com passagem de 14 meses em barricas de carvalho usadas. Teor Alcóolico de: 14,5%. A coloração é de um rubi púrpura, com médio brilho. Os aromas mostram frutas vermelhas, caramelo, pimenta vermelha e anis.  Na boca as sensações olfativas se repetem, os taninos são macios e marcantes, com boa integração. Leve acidez. Longo final levemente caramelado. Avaliação: 94/100 Pontos  . Preço: R$ 400,00 na Decanter Rio Preto.

P. Ferraud & Fils Châteauneuf-du-Pape 2015 – elaborado com Bourboulenc , Clairette ,          Grenache , Marsanne ,Mouvédre , Roussanne , Syrah e Viognier. Teor Alcóolico de 14%.  A coloração é de um um rubi púrpura, com ótimo brilho. Os aromas mostram cassis, cereja, alcaçuz, especiarias e algo tostado. Na boca apresenta um bom corpo, boa textura, taninos firmes e bem integrados ao frutado. Longo final com frutado intenso e alcaçuz se mostrando. Avaliação:92/100 Pontos. Preço:R$ 169,90, na Kylix.

Encontramos os primeiros traços do Château de Beaucastel no século XVI: em 1549, Pierre de Beaucastel compra “um celeiro com seu conto de barro contendo 52 salmões sentados em Coudoulet”. Em 1687, Pierre de Beaucastel obteve do rei Luís XIV o cargo de “Capitão da Cidade de Courthézon”, em reconhecimento à sua conversão ao catolicismo. A carta de Luís XIV, também assinada por Colbert, ainda é visível no castelo. Em 1909, Pierre Tramier assumiu a propriedade. Ele então transmite para seu genro, Pierre Perrin, um cientista que dá a sua ascensão a Beaucastel. Jacques Perrin continua os esforços de seu pai até 1978 e dá a este vinho sua nobreza. Hoje o comando está nas mãos de Jean-Pierre e François, filhos de Jacques Perrin que continuam a bela história do Château de Beaucastel. Marc, Pierre, Thomas, Cecilia, Charles, Mateus e César, a quinta geração, trabalham ao lado deles.

Château de Beaucastel Châteauneuf-du-Pape 2008 – elaborado com Alicante Bouschet, Cinsault, Counoise , Grenache , Mouvédre e Syrah. As uvas seguem o cultivo orgânico e a colheita é manual e realizada separadamente por castas. A vinificação acontece em cubas de carvalho (para as uvas Mourvèdre e Syrah) e em tanques de cimento (outras cepas). Após a fermentação malolática, é realizado o corte dos vinhos das diferentes variedades e, então, o vinho final amadurece em cubas de carvalho francês por 12 meses. Teor Alcoólico de 14,5%. A coloração é de um intenso e brilhante rubi. Os aromas mostram complexidade, com destaque para as notas florais, cereja, framboesa, groselha, especiarias (pimenta), alcaçuz e um toque de cedro. Na boca apresenta bom corpo, taninos potentes e bem integrados ao frutado e ao álcool, com toque picante. Muito equilibrado. Final longo com alcaçuz se mostrando. Avaliação:92/100 Pontos. Preço:R$ 750,00, na Kylix.

Léon Perdigal é um personagem lendário da região do Rhône do final do século 19. Nascido em Châteauneuf-du-Pape, filho de um mestre em tanoaria, ele dominava a arte de utilizar a madeira para envelhecer os vinhos, criando tintos e brancos cheios de finesse. A linha de vinhos que leva seu nome é reconhecida pelo charme e tipicidade. Todos os vinhos são produzidos em uma adega centenária, localizada no coração de Châteauneuf-du-Pape. Ela abriga um impressionante acervo de barricas de grande volume chamadas “foudres” — um dos segredos da finesse por trás dos tintos de alta gama da Léon Perdigal.

Léon Perdigal Châteauneuf-du-Pape Réserve des Argentiers 2016 – elaborado com 80% Grenache e 20% Syrah, Mourvèdre e Cinsault, vinhas com idade média de 30 anos, com amadurecimento de 12 meses em carvalho. Teor Alcoólico de 14,5%. A coloração é de um intenso e brilhante rubi. Os aromas mostram-se complexos com com destaque para as notas florais, cereja, framboesa, groselha, especiarias (pimenta), alcaçuz e um toque de cedro. Na boca apresenta-se com bom corpo, taninos potentes e bem integrados ao frutado e ao álcool, com toque picante. Muito equilibrado. Final longo com destaque ao toque floral e alcaçuz. Avaliação:92/100 Pontos. Preço:R$ 314,00, na Kylix.

 

 

 

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